A Ribeira de Muge fica situada na orla de um dos maiores desertos humanos de Portugal, a floresta de Entre-Muge-e-Sorraia. Esta região pode exibir ainda hoje uma cultura com traços característicos muito próprios, mormente a rude cultura dos pastores, cabreiros e dos negros que aqui habitaram. São estas especificidades que a Academia persegue, "subindo ao povo", como nos diz o grande Pedro Homem de Melo, recolhe, estuda e divulga.

domingo, 27 de março de 2016

COMUNICADO Programa do Dia dos Moinhos Abertos 2016 no Moinho do Fidalgo (Paço dos Negros – Almeirim)

 

A Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge vem pelo presente meio anunciar a programação do Dia dos Moinhos Abertos 2016, a desenvolver no Moinho do Fidalgo, em Paço dos Negros (Almeirim), nos próximos dias 9 e 10 de abril de 2016, das 15.00h às 18.00h. Sendo dos poucos engenhos a nível nacional, senão mesmo o único, que participa nesta iniciativa e não está funcional, e não sendo possível coloca-lo a trabalhar, haverá uma programação de atividades a desenvolver, por via a dinamizar este engenho centenário. A saber: 

  • Sessão de abertura, no sábado dia 9, às 15.00h, com o descerramento do Cartaz Oficial dos Moinhos Abertos 2016.

  • Exposição “Cereais da Ribeira de Muge – do Canteiro à Mesa”, integrada no tema anual da academia – A Cultura Popular. Aqui pretende-se mostrar todo o caminho dos cereais, nas suas três fases fundamentais: a produção agrícola, a transformação do cereal no moinho e a sua utilização na gastronomia local. A exposição versará não só objetos, como também fotografias. Esta irá estar acessível no período de abertura do moinho, referido acima. 

  • No domingo, dia 10 de abril, às 16.00h haverá no moinho uma sessão de “Conversas no Moinho com… Sónia Colaço, sobre A Valorização do Património Ambiental”. Sónia Colaço, bióloga formada pela Universidade de Aveiro, irá trazer ao Moinho do Fidalgo uma conversa ligada à temática da proteção e conservação da natureza.

O Dia dos Moinhos Abertos é uma iniciativa de âmbito nacional, que conta em 2016 com a sua 10.ª edição. É promovida pela Rede Portuguesa de Moinhos, e desenrola-se no fim-de-semana mais próximo ao Dia Nacional dos Moinhos (7 de abril). Tem como principal objetivo colocar abertos e visitáveis o maior número de engenhos no mesmo dia em todo o país. 

A Academia Itinerarium XIV participa nesta iniciativa pelo terceiro ano consecutivo, com o Moinho do Fidalgo, localizado no complexo do Paço Real da Ribeira de Muge. Este moinho, cuja data de construção exata desconhecemos, mas que terá cerca de cem anos, é um dos poucos da Ribeira de Muge que não se encontra totalmente abandonado, tendo sido palco de alguns eventos da academia além deste dia.


quinta-feira, 24 de março de 2016

Recordações de Quinta-feira-santa

AS BRINCADEIRAS

A Festa e o Sagrado de Transgressão

Dependentes de uma agricultura cujos métodos de exploração eram rudimentares, a mourejar do sol-fora ao sol-posto, as pessoas na aldeia vivem muito ligadas à Natureza. Existia uma sacralidade cósmica na relação das pessoas com a Natureza. A própria festa em comunidade rural, onde a agricultura de subsistência convive com o pequeno assalariato agrícola, por vezes sendo estas categorias assumidas pela mesma pessoa, decorre em função dos tempos sociais e do calendário religioso.
As Brincadeiras, ajuntamento anual, desfile de cultura popular, aparentando ser um mero encontro profano, mais não era que a criação, o reconhecimento de um tempo e um espaço diferenciados. O espaço temporal em que decorrem os festejos torna-se, para o povo, um espaço inscrito no tempo, tempo que é um tempo cíclico, inviolável, que aguardam ano após ano. O espaço físico sendo um espaço secular é para estas multidões rumorosas e festivas ocupado como um espaço simbólico sagrado. Povo habituado ao sofrimento, quando não à fome, sendo dois meios-dias de jejum, não há lugar sequer para a comida e a bebida, muito menos os seus excessos. Era assim criado um tempo e um espaço fortes em que as cantigas e os jogos campestres são claramente os elementos aglutinadores do grupo social que é a aldeia.
São pois estes rituais festivos campos de significação pelos quais a aldeia se comunica e se relaciona. O tempo da festa é vivido como um tempo mítico, o regresso a um passado primordial e imaginário, como que uma evocação e imitação de todos os que os precederam, rompem com as preocupações da vida quotidiana. As recordações de festas passadas e a expectativa das que hão-de vir, são memória e desejo, no qual as pessoas se sentem felizes.

Cantava-se e brincava-se sem parar. Um dos jogos era A Biloa.
Um grupo jovens, raparigas e rapazes, normalmente eram duas raparigas com as mãos agarradas fazem um arco. O restante grupo, em fila, agarrados pelos ombros, com a mãe à frente, vão passando, sucessivamente, por baixo do arco, enquanto cantam. Ao chegarem junto do arco, imploram, cantando:

Eu peço ao senhor barqueiro
Se me deixava passar
Tenho filhos pequeninos
Não os posso sustentar.

As duas raparigas que fazem de barqueiro, respondem enquanto a fila vai passando:

Passará não passará
Mas algum cá deixará
Se não for a mãe da frente
Há-de ser o filho de trás.

Perguntam, em segredo, ao último da fila, que impedem de passar: queres o sol ou queres a lua? Ou: queres a laranja ou o limão?, etc. Consoante a escolha, vão-se colocando, ora de um lado, ora do outro.
No final os cada grupo, agarrados, fazem o jogo da corda queimada. Ganha o grupo que conseguir arrastar o outro.

segunda-feira, 14 de março de 2016

COMUNICADO Academia Itinerarium XIV adere ao Dia dos Moinhos Abertos


A Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge, na senda da valorização do património local do eixo Raposa-Paço dos Negros-Marianos (Almeirim), nas suas mais variadas vertentes, procedeu pelo terceiro ano consecutivo à inscrição do Moinho do Fidalgo no Dia dos Moinhos Abertos. Esta é uma iniciativa nacional, promovida pela Rede Portuguesa de Moinhos, e que em 2016 assinala o seu 10.º ano consecutivo. Em 2015 foram 327 os engenhos que estiveram abertos para esta atividade, tendo sido o Moinho do Fidalgo o único participante da parte sul do distrito de Santarém.

A programação será divulgada oportunamente, sendo enquadrada no tema definido para 2016: o Ano da Cultura Popular. Para já, segue o cartaz nacional desta iniciativa. 

Nota ainda que o Relatório de Atividades de 2015 da Academia Itinerarium XIV foi aprovado em reunião de 13 de março, sendo relativo ao desempenho prestado por esta entidade ao longo do ano passado, nas suas mais variadas iniciativas. 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O Moinho de Vento de Paço dos Negros na IM-91


A revista "International Molinology" é uma publicação semestral da TIMS (The International Molinological Society). O último número, que chegou aos membros nesta semana, é a edição especial do 50.º Aniversário da TIMS, com o dobro do tamanho habitual. A revista é dividida em várias secções temáticas (artigos científicos originais, sugestões de leitura relacionadas com molinologia, pequenas notícias, entre outros). 

Foi publicada nesta edição um pequeno artigo (no capítulo "communications") com o nome "Paço dos Negros Windmill, Almeirim, Portugal", da nossa autoria, em que foi relatada a descoberta não só da tipologia como da imagem do desaparecido Moinho de Vento, que existiu em Paço dos Negros. Este, entre outras singularidades, nunca precisou de outra designação que não aquela, por ser o único da sua tipologia na zona. 

Uma construção efémera (laborou cerca de 30 anos), que foi imortalizada na mente da comunidade com uma placa toponímica, mas cuja imagem era completamente desconhecida. Trazê-la ao presente, no Dia dos Moinhos Abertos de 2015, foi sem sombra de dúvida um dos melhores momentos da vivência cultural da Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge. Nada nos deixa mais feliz que ter acontecido precisamente no ano em que a TIMS comemora cinquenta anos de existência! O último paragrafo do artigo sintetiza precisamente este  indescritível sentimento: 

"This discovery was, without a shadow of a doubt, the best gift that a group of citizens with love to their homeland and dedicated to its history and culture could have received. Nothing makes us more proud than that this discovery was made on TIMS's 50 years commemoration."

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Conversa entre amigos sobre o Natal da nossa terra e as nossas memórias

Conversa entre amigos sobre o Natal da nossa terra e as nossas memórias 

E ainda «Versos - o Romanceiro da Ribeira de Muge»"



É este o mote para a última iniciativa de 2015 da Academia Itinerarium XIV. A realizar no próximo dia 20 de dezembro, às 15.00h, no Paço Real da Ribeira de Muge (Paço dos Negros - Almeirim). Um pouco ao estilo de uma conversa sobre "o antigamente", como se passava o Natal aqui, algumas estórias caricatas que aconteciam no Dia de Natal, entrelaçada com poesia e narrativas recolhidas junto das pessoas que aqui viveram e vivem. Algumas destas serão contadas pelos próprios protagonistas ou autores. 

Mas como o espírito natalício impele a que haja um dar e um receber, pretende-se que quem nos visite fique não só a conhecer o Natal da Ribeira de Muge, mas também que nos dê a conhecer como era o seu Natal antigamente e como é hoje. Assim, o convite é que venham também partilhar o vosso Natal com todos nós. 

Dentro deste espírito de informalidade e de conversa, será apresentado o livro "Versos - O Romanceiro da Ribeira de Muge", da autoria de Manuel Evangelista, que reúne poesia e narrativas populares recolhidas pelo autor ao longo de vários anos que se dedicou ( e continua a dedicar) a estudar a cultura popular da Ribeira de Muge. 

A Academia Itinerarium XIV é constituída por um grupo de cidadãos de Paço dos Negros, e tem como objetivo a promoção da divulgação do património, história e etnografia deste local.