A Ribeira de Muge fica situada na orla de um dos maiores desertos humanos de Portugal, a floresta de Entre-Muge-e-Sorraia. Esta região pode exibir ainda hoje uma cultura com traços característicos muito próprios, mormente a rude cultura dos pastores, cabreiros e dos negros que aqui habitaram. São estas especificidades que a Academia persegue, "subindo ao povo", como nos diz o grande Pedro Homem de Melo, recolhe, estuda e divulga.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

COMUNICADO Painel de Oradores no II Colóquio da Ribeira de Muge - "O Culto Mariano"


A Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge vem pelo presente meio divulgar o programa do II Colóquio da Ribeira de Muge, que terá lugar no próximo dia 10 de junho, na Casa da Cultura da Raposa a partir das 14.30h. Assim, o painel principal contará com os seguintes oradores e comunicações: 

- Aurélio Lopes, "A Ascensão Cultual de Maria"
- Ana Correia, "O Culto a Nossa Senhora do Castelo em Coruche"
- Roberto Caneira, "As festas em honra de Nossa Senhora da Glória"
- Manuel Evangelista, "A religiosidade popular na Ribeira de Muge"

O colóquio é de participação livre, contudo a inscrição é necessária para quem pretenda pasta de documentação, com resumos das comunicações e certificado de presença. A inscrição pode ser feita no formulário online (aqui), para o email da academia (academia.xiv@gmail.com) ou para o telefone da Junta de Freguesia de Raposa (243 566 166). 

Este é o segundo colóquio realizado numa parceria entre a Junta de Freguesia de Raposa e a Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge, que pretende trazer um tema cultural a debate à Ribeira de Muge, dando a conhecer não só a realidade local, como realidades mais abrangentes. 

domingo, 21 de maio de 2017

II Colóquio da Ribeira de Muge


A Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge, em parceria com a Junta de Freguesia da Raposa, irá promover o II Colóquio da Ribeira de Muge no próximo dia10 de junho às 14.30h, na Casa da Cultura da Raposa (Almeirim). A edição deste ano será subordinada ao tema “O Culto Mariano”.

Depois da primeira edição desta iniciativa, em maio do ano passado, com o tema “Moinhos de Vento Portugueses”, irá trazer-se novamente à Ribeira de Muge um espaço reflexivo em torno de um tema cultural. Tendo em conta que o ano passado se assinalaram os 500 anos da procissão de Nossa Senhora do Castelo (em Coruche) e que este ano se assinalam os 100 anos dos fenómenos de Fátima, o que espelha a importância do tema para as populações, não deixa de ser pertinente o seu estudo e divulgação de uma ótica não teológica.

Assim, teremos um painel com oradores oriundos de diversas áreas disciplinares, que nos trarão diferentes realidades, que divulgaremos oportunamente.

As inscrições já estão disponíveis, no formulário online (aqui) para o email da academia (academia.xiv@gmail.com) ou para o telefone da Junta de Freguesia da Raposa (243 566 166). 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

O historial da igreja de Paço dos Negros

Para registo futuro, o pequeno livro que conta a história dos 35 anos, de Fevereiro de 1958, a Dezembro de 92, que levou a construção do edifício da Igreja de Paço dos Negros. Todos os principais passos: as diversas fases, desde a génese, à primeira pedra, até à inauguração. As pessoas, as lutas, as dificuldades, que envolveram a construção de um edifício e de uma comunidade.
Um documento oferecido à comunidade.



segunda-feira, 1 de maio de 2017

Coisas do antigamente. A propósito: Quem é que deixou entrar o Maio?

Não se podia deixar entrar o Maio, senão andávamos doentes todo o ano.

Em Maio, com sono caio.



Os homens iam de porta em porta a anunciar o Maio e, a quem estivesse deitado, já com sol nado,

diziam:          
                                                 

Este está a deixar entrar o Maio!






.


Por vezes, entravam casa adentro e iam à cama fazer levantar os "preguiçosos".

Era de obrigação levantar-se antes do nascer do sol, ir partir um ramo de sabugueiro, ver quem é que chegava primeiro à porta da outra pessoa e pendurar-lhe o ramo na porta.

Este costume dava azo a que alguns fossem pendurar o ramo de sabugueiro à porta dos vizinhos, de noite, na véspera.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

CORDÃO HUMANO Em torno do Moinho do Fidalgo (Paço dos Negros - Almeirim)


A Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge vai promover um cordão humano em torno do Moinho do Fidalgo no âmbito das iniciativas do Dia dos Moinhos Abertos 2017, no próximo dia 8 de abril às 17.00h e 9 de abril às 18.00h. 

Com efeito, estando patente no Moinho do Fidalgo, durante a iniciativa, uma exposição sobre os Moinhos de Vento do Oeste, este cordão surge em solidariedade com a iniciativa levada a cabo no Alto da Pinhôa (Lourinhã), pela organização do Dia dos Moinhos Abertos naquele lugar, e que pretende chamar à atenção dos problemas dos moinhos de uma forma geral, e dos de vento de uma forma particular, a saber:

- Urbanismo mal planeado ou sem planeamento, com construções em torno dos moinhos, que limita os corredores de vento.
- Crescimento florestal desenfreado com espécies invasoras e de rápido crescimento (como o eucalipto).
- Abandono dos engenhos, conduzindo à sua degradação. 
- Reconstruções irresponsáveis, sem o conhecimento técnico adequado. 

A Academia Itinerarium XIV convida todos os interessados a integrar este cordão! 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Moinho do Boneco - Futuro Património Classificado.

Numa visita ao moinho do Boneco - Moita dos Ferreiros, Lourinhã - durante mais de três horas, foi um gosto aprender com a sua Moleira, a Fátima Nunes, criadora do projecto de classificação dos moinhos a Património Imaterial da Humanidade. Parabéns Fátima. Aconselho marcarem uma visita.








sábado, 11 de fevereiro de 2017

D. Sebastião e o Paço da Ribeira de Muge

D. Sebastião


Muitas são as histórias do rei D. Sebastião nas caçadas, nas coutadas de Almeirim e da Ribeira de Muja, conforme documentos coevos, e como o sugerem os relatos de fugas a D. Catarina, sua avó, para o seu paço preferido, durante as suas longas estadias no paço de Almeirim. Desta vez, aos 17 anos, estava o rei D. Sebastião em Almeirim desde 21-12-1571, e como nos diz a carta de 10-02-1572, do cardeal a Dona Catarina que estava em Enxobregas, o reizinho que já andava a congeminar Alcácer-Quibir, passou alguns dias no Paço da Ribeira: «elRey meu sor esta muito bem. não se lhe deve dizer algua cousa que dê algua sospeita. E elRey meu sor esta nos Paços da Ribeira e não a de vir senão amanhã a noite. E também esta para ir ver V. A. logo na entrada da coresma.» (A. Simancas, Estado, legajo 390, f. 88, citado em Joaquim Veríssimo Serrão, Os itinerários de D. Sebastião, 1568-1578).

Mais uma vez, nunca é demais recordar a nossa história, neste aniversário desta estadia, documentada, este blog quer recordar esta data, de algum modo desagravando os atentados que vem sofrendo este Paço e a memória dos que por aqui passaram, por políticos que não respeitam o património, a história e a nossa cultura.

Rainha D. Catarina 

Portal do Paço dos Negros e capela de S. João Baptista ao fundo.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Atas do Colóquio "Sobre a Realidade dos Moinhos de Vento Portugueses"


Índice

  • Nota Prévia
  • Objetivos do Colóquio
  • Programa do Colóquio
  • Mesa de Abertura
  • Os moinhos de vento no distrito de Aveiro, por Armando Carvalho Ferreira
  • Moinhos com Novos Ventos, por Fátima Nunes
  • Os Moinhos de Vento na Região da Ribeira de Muge: o labor do vento em terra de moinhos de água, por Samuel Rodrigues Tomé
  • Personalidades institucionais presentes



Encomendas para academia.xiv@gmail.com 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Homenagem a Frazão de Vasconcelos



Aproveitando a homenagem a Frazão de Vasconcelos, o primeiro que viu a importância do quinhentista Paço Real da ribeira de Muge, mais um pequeno/grande passo para o reconhecimento da História e fundação de Paço dos Negros, e da importância que este paço teve no século XVI, no auge da gloriosa História de Portugal, e pode vir a ter nesta época do turismo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Academia Portuguesa da História presente na Homenagem a Frazão de Vasconcellos


A Academia Portuguesa da História (APH), representada pela sua secretária-geral (a Prof. Doutora Maria de Fátima Reis), estará presente na homenagem a Frazão de Vasconcellos promovida pela Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge, no próximo dia 1 de dezembro, às 15 horas, no Paço Real da Ribeira de Muge (Paço dos Negros - Almeirim). 

Frazão de Vasconcellos foi o primeiro académico que estudou o Paço Real da Ribeira de Muge, e publicou um artigo sobre o mesmo da revista Brasões e Genealogias, em 1926. A Academia Itinerarium XIV assinala os 90 desta publicação dando a conhecer, em Paço dos Negros, quem foi Frazão de Vasconcellos, uma vez que é uma personalidade praticamente desconhecida aqui. 

Frazão de Vasconcellos foi membro da Academia Portuguesa da História, e a Prof. Doutora Maria de Fátima Reis proferirá uma palestra intitulada "José Frazão de Vasconcellos na Academia Portuguesa da História". 

Esta será, sem dúvida, uma oportunidade ímpar para conhecer melhor este vulto de cultura nacional, que além do Paço Real da Ribeira de Muge houvera publicado também um estudo em 1924 onde abordava o Convento de Nossa da Serra, também no concelho de Almeirim.  

A sessão terminará com um momento cultural "Crespo com Trio de Cordas". Um tributo à cultura popular. 

domingo, 13 de novembro de 2016

Academia Itinerarium XIV homenageia Frazão de Vasconcellos

Assinala-se neste ano de 2016 os noventa anos da publicação da separata "O Paço dos Negros da Ribeira de Muge e os seus Almoxarifes", da autoria de Frazão de Vasconcellos, primeiro estudo que se conhece sobre o Paço Real da Ribeira de Muge, localizado em Paço dos Negros (Almeirim). Desta forma, a Academia Itinerarium XIV irá, no próximo dia 1 de dezembro prestar homenagem ao autor desta publicação com uma sessão evocativa, às 15.00h, na Capela de S. João Baptista do dito paço. 

Esta sessão  tem como objetivo principal homenagear o primeiro académico que se dedicou a estudar o Paço Real da Ribeira de Muge, lançando um estudo que constitui, sem dúvida, a pedra angular de muito do trabalho científico sobre a origem do Paço Real da Ribeira de Muge e a sua história enquanto propriedade da coroa.

A separata em questão, publicada em 1926 na revista "Brasões e Genealogias", pode ser dividida em duas partes fundamentais. Uma primeira, onde o autor faz o relato de uma visita que fez ao local, na altura propriedade de Manuel Francisco Fidalgo, e faz um enquadramento histórico do mesmo. Numa segunda parte alude essencialmente à genealogia de almoxarifes que aqui prestaram serviço, entre o séc. XVI e o final do séc. XVIII. 

sábado, 13 de agosto de 2016

COMUNICADO Academia Itinerarium XIV entrega segunda carta aberta sobre estado de conservação do Paço Real da Ribeira de Muge

A Academia Itinerarium XIV dirigiu-se no passado dia 11 de Agosto ao edifício dos Paços do Concelho, em Almeirim, onde entregou aos elementos do executivo municipal uma segunda carta aberta (reproduzida abaixo) onde firmou as preocupações com o estado de conservação do Paço Real da Ribeira de Muge, já descritas na missiva entregue há um ano atrás, e à qual nunca obteve resposta. Entregamos a carta em mão à Vereadora Maria Emília Moreira, deixando no secretariado para os demais membros do executivo, que não se encontravam presentes. 



Com efeito, o Paço Real da Ribeira de Muge, berço da aldeia de Paço dos Negros (freguesia de Fazendas de Almeirim), é o último vestígio edificado que atesta a presença da Corte no séc. XVI no concelho de Almeirim. Sendo propriedade do município, é de todo pertinente que a edilidade tome em mãos a responsabilidade de evitar que o espaço se degrade mais do que aquilo que nos chegou, uma vez que, sendo estruturas centenárias, necessitam de manutenção para garantir a sua preservação. 
Seguem em anexo duas fotos do estado de degradação do paço, assim como o link para o blog da academia, onde se poderão encontrar mais fotos: 

No final da carta, a academia compromete-se a continuar a valorizar o Paço Real da Ribeira de Muge, não só dinamizando o mesmo, mas preservando a sua história e a sua memória. Dando lugar a este pressuposto, a academia não deixa de registar que este ano se completam 90 anos da publicação d' "O Paço dos Negros da Ribeira de Muge e os seus Almoxarifes", o primeiro estudo monográfico sobre este local, da autoria de Frazão de Vasconcellos. Até ao final do ano, a Academia Itinerarium XIV dará lugar à evocação desta efeméride. 


2.ª Carta Aberta ao Executivo da Câmara Municipal de Almeirim

Sobre a Conservação do Paço Real da Ribeira de Muge


Paço dos Negros, 11 de agosto de 2016

Exmo. Sr. Presidente e Exmos. Srs. Vereadores,

A Academia Itinerarium XIV no dia 10 de agosto de 2015 entregou aos membros do executivo municipal uma carta aberta, onde expressava as suas preocupações com o estado de conservação do Paço Real da Ribeira de Muge, dando algumas possíveis linhas de conservação preventiva que podem ser seguidas, advenientes da formação académica e profissional de alguns dos elementos da Academia.

Infelizmente, da parte do executivo municipal, não mereceu a Academia qualquer resposta dando conta da sua intenção, ou não, de proceder de acordo com o sugerido na carta aberta, ou sequer acusando a receção da mesma. Lamentamos que este assunto apenas uma vez, a fazer fé nas atas, tenha sido levado a reunião de câmara, reconhecendo contudo que este tenha sido trazido por um vereador que, ainda que não tenha pelouros atribuídos, manifestou sensibilidade para o mesmo.

Verificamos que durante o inverno foram feitas pequenas intervenções no portal, nomeadamente a limpeza da flora, confirme sugeríamos. Esperamos que esta intervenção tenha sido feita com respeito pela integridade da estrutura e com conhecimentos técnicos adequados, ao contrário de outras intervenções que foram feitas no passado (nomeadamente na capela). Contudo, verificamos que os problemas que enunciámos continuam por resolver no geral. O portal continua com o reboco descarnado, tanto na parede como nos merlões, que importa consolidar. Isto apenas no portal, pois não pretendemos repetir tudo aquilo que escrevemos há um ano atrás, uma vez que os fatores de degradação continuam ser os mesmos, apenas se acentuaram!

Colocaremos no nosso blog e na nossa página do facebook (links no final da carta) um conjunto imagens que materializam as nossas preocupações e evidenciam o estado em que o Paço Real da Ribeira de Muge se encontra.

Reconheça-se que o Paço Real da Ribeira de Muge é efetivamente a última edificação que testemunha a presença da corte no séc. XVI no nosso concelho. A capacidade de intervenção e de valorização futura depende das atitudes de hoje.

Reiteramos a nossa total disponibilidade para, juntamente com a autarquia, constituirmos um grupo de trabalho que permita, em tempo útil, pelo menos a preservação do muito que ainda resta do nosso Paço Real da Ribeira de Muge. Sugerimos o agendamento de uma visita de trabalho que permita elencar estratégia e procedimentos visando o proposto.

Pela nossa parte, continuaremos a fazer aquilo que conseguirmos, com os nossos limitados recursos: valorizar o Paço Real da Ribeira de Muge.
O Secretariado da Academia Itinerarium XIV

Aquilino Manuel Pratas Fidalgo
Lucília Ferreira Cipriano Evangelista
Manuel da Conceição Evangelista
Maria Nélia Silva Castelo dos Reis
Samuel José Rodrigues Tomé


Esta carta será entregue individualmente a cada um dos membros do executivo municipal, e será dado conhecimento aos Grupos Municipais, ao Sr. Presidente da Assembleia Municipal, ao Executivo da Junta de Freguesia de Fazendas de Almeirim, Assembleia de Freguesia de Fazendas de Almeirim, Imprensa, rede de contactos da academia e publicação do blog da Academia Itinerarium XIV.


quinta-feira, 11 de agosto de 2016








Portal
São visíveis os descarnamentos dos rebocos da parede e dos merlões, assim como a flora invasiva, que foi limpa no inverno, e voltou a crescer. 





Pátio
Zona onde estava edificado o palácio em si, de que hoje apenas restam os arranques das paredes e as cantarias das portas. Sendo um pavimento de tijoleira, a deposição de areias faz crescer ervas, que danificam o que resta dos pavimentos. A exposição às condições atmosféricas vai igualmente desgastando as cantarias. 




Ponte sobre a Vala do Pomar, junto ao moinho
Pequena ponte pedonal, que se encontra seriamente danificada devido à limpeza da vala com maquinarias. Além disso, tendo em conta a danificação das argamassas, estão soltos alguns tijolos, que irão continuar a cair se a estrutura não foi consolidada. 

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Hoje é dia de Santo António


Procissão de Santo António, Raposa
13.06.2016

Jubilosos aclamemos
Neste dia Santo António
Que da vida se tornou
Flor da Igreja e sol do mundo
Portugal foi o seu berço
de Portugal é patrono
Mas a gloria do seu nome 
Encheu todo o universo
A Santo António rezando
Com Santo António cantemos
Honra e Glória eternamente
À Santíssima Trindade. 
Este foi o grande arauto
Da palavra salvadora
Que ensinou aos pecadores
Os caminhos da verdade. 
Quando os homens resistiram 
Aos prodígios do seu verbo
Até os peixes do mar
Ouviam maravilhados. 
Sua língua além da morte
Continuava viva e fresca
E vermelha como a púrpura 
Fala ainda, embora muda
A Santo António rezando...
Do livro «"Versos": o Romanceiro da Ribeira de Muge», de Manuel Evangelista

Em jeito de lembrança do facto de hoje ser Dia de Santo António, patrono da Paróquia da Raposa, ao qual as populações da Ribeira de Muge pertencem, ainda que seja só afetivamente. 

domingo, 22 de maio de 2016

Intervenção da Academia Itinerarium XIV na Mesa de Abertura do Colóquio "Sobre a Realidade dos Moinhos de Vento Portugueses"

Mesa de Abertura do Colóquio "Sobre a Realidade dos Moinhos de Vento Portugues"
Da esquerda para a direita: Cristina Casimiro (Presidente da Junta de Freguesia da Raposa), Samuel Tomé (Secretariado da Academia Itinerarium XIV) e Eurico Henriques (Vereador da Cultura da Câmara Muncipal de Almeirim)
Fotografia de Helena Fernandes

Todos os países terão as suas características próprias no que diz respeito à atividade dos moinhos, e Portugal não será exceção. Somos um país que, onde a nível de tipologias de engenhos, é possível encontrar um pouco de tudo, mais ou menos adaptado às nossas características morfológicas e climáticas. Assim, temos uma riqueza de atividade molinológica (sendo que a molinologia é o estudo e o conhecimento dos moinhos) muito grande, não só com eventos como este, mas também com muitas obras de referência, como a “Tecnologia Tradicional Portuguesa – Sistemas de Moagem”, de Ernesto Veiga de Oliveira, Benjamim Pereira e Fernando Galhano, citada em praticamente todas as obras sobre o tema em Portugal, mas também comummente mencionada na literatura internacional sobre o tema.

Este colóquio pretende acrescentar um pouco mais a todos nós, sobre esta realidade que são os moinhos de vento em Portugal. Com apenas tão poucas comunicações conseguimos reunir diferentes tipologias de moinhos vento, de diferentes áreas geográficas, abordadas por diferentes áreas disciplinares. Em nome da Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge saúdo os oradores aqui presentes, que aceitaram prontamente este desafio.

Em nome da Academia Itinerarium XIV saúdo também muito especialmente a Junta de Freguesia da Raposa, na pessoa da Senhora Presidente, que desde o primeiro momento se associou a este evento, e mais que um apoio, sentimos um verdadeiro empenho desta autarquia na organização deste colóquio.

Não concebemos este colóquio noutro lugar que não aqui. Com efeito, esta Casa da Cultura, por muitos conhecida como “o Descasque”, por aqui ter funcionado uma unidade de descasque de arroz, foi ainda conhecida por muitos antes disso como um moinho. Já mencionado no séc. XVIII, este Moinho da Raposa, que era tocado a água, ou não tivéssemos nós aqui mesmo ao lado a Ribeira de Muge, recebe hoje um colóquio sobre moinhos de vento.

Este foi um dos objetivos a que nos propusemos. Trazer aqui uma realidade diferente daquela que tínhamos por mais comum. E hoje cá estamos para a apresentar.

Termino com votos que todos os presentes apreciam e aprendam algo mais. Que hoje, quando sairmos daqui, façamos o exercício do que ficamos a saber que não sabíamos antes de termos entrado por aquela porta.

Samuel Rodrigues Tomé
Secretariado da Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge

Personalidades institucionais presentes no Colóquio “Sobre a Realidade dos Moinhos de Vento Portugueses”

Foram várias as personalidades que se associaram ao Colóquio “Sobre a Realidade dos Moinhos de Vento Portugueses”, marcando presença a nível institucional, desde órgãos autárquicos, a associações e entidades oficiais. Segue abaixo a listagem dos presentes nestas condições, por ordem alfabética:

  • Alberto Santos, Alenculta – Associação Cultural de Alenquer
  • Anabela Silva, Secretária do Executivo da Junta de Freguesia da Raposa
  • António Cruz Martins, Deputado Municipal da Assembleia Municipal de Almeirim
  • António José Dionísio, Tesoureiro da Junta de Freguesia da Raposa
  • António Nabais, Associação Portuguesa de Museologia
  • Cristina Casmiro, Presidente da Junta de Freguesia da Raposa
  • Eurico Henriques, Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Almeirim
  • Fernando Oliveira, Vereador da Cultura da Câmara Municipal da Lourinhã
  • João Duarte Carvalho, Presidente da Câmara Municipal da Lourinhã
  • José Carlos Ramalho, Real Associação do Ribatejo
  • Julieta Coimbra, Real Associação do Ribatejo
  • Maria Emília Moreira, Vereadora da Câmara Municipal de Almeirim
  • Maria Ramalho, Presidente do Conselho de Administração do ICOMOS Portugal
  • Pedro Oliveira Inácio, Museu da Água
  • Raquel Raposo, Alenculta – Associação Cultural de Alenquer
  • Roberto Caneira, Associação para a Defesa do Património Etnográfico e Cultural da Glória do Ribatejo
  • Sónia Colaço, Vereadora da Câmara Municipal de Almeirim

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Colóquio, programa completo

A Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge, juntamente com a Junta de Freguesia da Raposa, irá promover no próximo dia 21 de maio, a partir das 14.30h, um colóquio “Sobre a Realidade dos Moinhos de Vento Portugueses”. Este evento, que terá lugar num antigo moinho de água que hoje é a Casa da Cultura da Raposa (na aldeia da Raposa – Almeirim), tem como um dos objetivos trazer a um lugar onde predominaram os moinhos de água a outra face da atividade moageira. Terá o seguinte programa:

14.30 – Receção aos convidados e inscritos
15.00 – Sessão de Abertura
15.20 – Painel “Sobre a Realidade dos Moinhos de Vento Portugueses”, com a moderação de Maria Nélia Castelo. Intervenções:
– “Os Moinhos de Vento do Distrito de Aveiro”, por Armando Ferreira (investigador na área da molinologia e uma referência no estudo da molinologia em Portugal).
– “Moinhos com Novos Ventos”, por Fátima Nunes (moleira e mentora da candidatura dos moinhos de vento do Oeste a Património da Humanidade).
– “Moinhos de Vento da Região da Ribeira de Muge: o labor do vento em terra de moinhos de água”, por Samuel Rodrigues Tomé (investigador da área do património)
– “Metodologias Arqueológicas aplicadas ao Estudo dos Moinhos de Vento”, por Sílvia Casimiro e Rodrigo Garnelo Merayo (arqueólogos e coordenadores de uma escavação arqueológica num moinho de vento na Glória do Ribatejo)
16.40 – Debate
17.10 – Momento Cultural/musical


As inscrições podem ser feitas por formulário próprio (disponível no blog da Academia Itinerarium XIV), ou para o email academia.xiv@gmail.com e ainda o telefone  243 566 166 (sede da Junta de Freguesia da Raposa).

sábado, 7 de maio de 2016

INSCRIÇÕES: Colóquio “Sobre a Realidade dos Moinhos de Vento Portugueses”

Estão já abertas as inscrições no colóquio “Sobre a Realidade dos Moinhos de Vento Portugueses”, que tem lugar no próximo dia 21 de maio, a partir das 14.30, na Casa da Cultura da Raposa, coorganizado pela Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge e pela Junta de Freguesia da Raposa.

A participação é livre, mas pede-se inscrição para quem esteja interessado em receber certificado de participação e pasta de documentação (com resumos das comunicações, biografias dos oradores e outros elementos). A inscrição poderá ser feita do seguinte modo:
- no formulário online, acessível no blog da academia (botão ao lado) ou no no link: https://docs.google.com/forms/d/12qI2BnwUdpCt0D-bAvmU2CI8YiFfxsz1x-ryr4rupzg/viewform 
- presencialmente, na sede da Junta de Freguesia da Raposa.
- para o telefone 243 566 166 (sede da Junta de Freguesia da Raposa).
- por email para academia.xiv@gmail.com

Apesar de ainda não estar totalmente fechado, o programa previsto é o seguinte:  

14.30: Receção e distribuição das pastas de documentação
15.00: Sessão de Abertura
15.20: Painel “Sobre a Realidade dos Moinhos de Vento Portugueses”, com os seguintes oradores:
·Armando Carvalho Ferreira, Investigador na área da molinologia;
·Fátima Nunes, Moleira;
·Samuel Rodrigues Tomé, Investigador na área do património;
·Sílvia Casimiro e Rodrigo Garnelo Merayo, arqueólogos.
16.40: Debate



É importante ressalvar que no evento será abordada a diversidade tipológica dos moinhos de vento precisamente num ambiente onde os mesmos são raros, devido à presença de uma ribeira com um forte caudal, e ao longo da qual proliferaram ao longo dos séculos vários moinhos movidos pela força da água. O próprio local onde terá lugar o colóquio é um antigo moinho, hoje convertido em espaço cultural.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Colóquio "Sobre a Realidade dos Moinhos de Vento Portugueses"

Objetivos 
 
Trazer a uma região onde predominam os moinhos de água um dos outros lados da atividade moageira tradicional. 

Abordar um tipo muito específico de património: o património molinológico, na sua vertente dos moinhos tocados pelo vento.
 

Analisar a diversidade tipológica (ou parte dela) dos engenhos movidos pela força do vento.
 

Conhecer realidades geográficas distintas do país. 
 

Trazer ao debate a abordagem e estudo dos moinhos a partir de várias áreas disciplinares.
 

Perceber o tratamento dado aos engenhos, nos seus mais variados estados (desaparecidos, abandonados, em funcionamento, recuperados), e de que modo estes devem ser tornados património.
 

Dinamização de um espaço que está também ele ligado à área do labor moageiro.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

COMUNICADO Moinhos Abertos 2016 no Moinho do Fidalgo foram um sucesso

Descerramento do Cartaz Oficial dos Moinhos Abertos 2016

A cerimónia de Abertura contou com a presença da Sr.ª Vereadora Sónia Colaço e do Sr. Deputado Municipal António Cruz Martins, que aqui pousaram connosco para a foto. 

Iniciativa nacional, em que a Academia Itinerarium XIV participa pela terceira vez, contou este ano com um total 55 visitantes ao Moinho do Fidalgo (Paço dos Negros - Almeirim), apesar das condições adversas do tempo. Aqui esteve patente durante o fim-de-semana a exposição temática “Cereais da Ribeira de Muge: do canteiro à mesa”, que mostrava o percurso do cereal, desde que é cultivado, passando pela sua transformação no moinho, até às confeções gastronómicas.

Já no domingo tivemos uma tertúlia designada “Conversas no moinho com… Sónia Colaço, sobre «A Valorização do Património Ambiental Ribeirinho»”. Foi sem dúvida um momento apreciado pela plateia, em que todos os presentes aprenderam e interiorizaram um pouco mais a necessidade da valorização ambiental dos cursos de água, ao nível da flora, fauna e do seu papel não só no ambiente como também na sua integração no dia-a-dia de todos nós, e o quão importante e fonte de riqueza podem ser os recursos aquíferos.
Tertúlia com Sónia Colaço sobre a valorização do património ambiental ribeirinho. 

Além disto, há ainda a salientar o anúncio feito na cerimónia de abertura de um colóquio a decorrer no próximo dia 21 de maio, na Casa da Cultura da Raposa, em parceria com a Junta de Freguesia daquela localidade. Este colóquio irá incidir sobre os moinhos de vento, tendo como um dos objetivos trazer a esta zona uma realidade diferente daquela que conhecemos. O painel de oradores será constituído por um conjunto de personalidades com um percurso de investigação notável na área da molinologia e da arqueologia. Será sem dúvida um evento que marcará a forma de estar na cultura do concelho, e será um potenciador do turismo cultural. Já estão disponíveis algumas informações aqui no blog da academia sobre este colóquio, assim como um botão de acesso a um formulário para inscrição no mesmo aqui ao lado.

sábado, 9 de abril de 2016

COMUNICADO Realização do Colóquio “Sobre a Realidade dos Moinhos de Vento Portugueses”

A Academia Itinerarium XIV, em co-organização com a Junta de Freguesia da Raposa, tem o prazer de anunciar hoje, no Dia dos Moinhos Abertos, a realização de um colóquio no próximo dia 21 de maio, na Casa da Cultura da Raposa (Almeirim).

Dentro do grande tema da molinologia, este coloquio estará direcionado sobretudo para a temática dos moinhos tocados pela força do vento. Um dos objetivos passa por precisamente trazer a outra face da atividade moageira a uma região onde predominou a moagem tocadas maioritariamente pela força da água, ao longo das margens da Ribeira de Muge, ainda que com algumas exceções.

O colóquio terá um painel composto por quatro intervenções, uma das quais estará centrada na realidade da excecionalidade dos moinhos de vento da zona da Ribeira de Muge. As restantes três intervenções versarão a diversidade geográfica e pluridisciplinar da abordagem dos moinhos de vento. Assim, ser-nos-á trazida uma realidade do Distrito de Aveiro (com Armando Carvalho Ferreira), os Moinhos de Vento do Oeste (com Fátima Nunes) e ainda a Glória do Ribatejo (com Sílvia Casimiro e Rodrigo Garnelo), por oradores que são uma referência na área da molinologia e arqueologia.

O colóquio é de participação livre, contudo, pede-se inscrição para quem pretenda a pasta de documentação sobre o mesmo (resumos das comunicações, notas biográficas dos oradores, entre outros elementos). Assim, está já disponível no blog da Academia Itinerarium XIV a ligação a um formulário online de inscrição, no botão do lado esquerdo do ecrã. 

sexta-feira, 8 de abril de 2016

NOVE DE ABRIL MEU AMOR - BATALHA DE LA LYS

Perfaz amanhã, nove de Abril, 98 anos que se deu a famosa batalha de LA LYS. A nossa admiração e homenagem aos corajosos soldados portugueses. 

 Manuel António-Paço dos Negros, um dos muitos expedicionários em França.

“Verso” decerto criado, in loco, no próprio dia 9 de Abril de 1918, dia da Batalha de La Lys, retrata bem o desânimo, mas também a coragem de um soldado (que desconhecemos o nome). Foi-nos deixado por Francisco Maria, de Paço dos Negros, em manuscrito. Cedido por seu neto Samuel Tomé. (O mote é nosso, pois que está implícito nas décimas).


NOVE DE ABRIL MEU AMOR - BATALHA DE LA LYS

[Ao escrever-te estas linhas
Só chora o meu coração
Porque as palavras são minhas
Somente as letras não são.]

Nove de Abril, meu amor
Triste data em que ditei
A carta que te mandei;
Ó [minha] adorada flor
Descanso da minha dor
Fatalidades daninhas
Não pensas nem adivinhas
Quanto eu sofro minha querida
Estou entre a morte e a vida
Ao escrever-te estas linhas.

Numa horrorosa batalha
Após um grande cansaço
Fui ferido e perdi um braço
Numa chuva de metralhadora
Foi-se nossa esperança;
Falha, ou acaso maldição
Pois já por minha mão
[Era] para te [pedir] em casamento
Do meu triste sofrimento
Só chora o meu coração.

Olha leva a minha mãe
Muitos beijos e carícias
Diz que de mim tens notícias
Que estou vivo e estou bem;
Depois engana também
Minhas pobres irmãzinhas
Inocentes coitadinhas;
O sentir-te como tu te sentes
Diz-lhe [que] não és tu que mentes
Porque as palavras são minhas.

Enquanto a minha [alma] desvanece
Arranja um namorado
Que um pobre mutilado
Futuro algum te oferece;
Todo o nosso amor esquece
Fica para mim a paixão
Guarda para recordação
Esta última cartinha
Junto às outras, porque é minha,
Somente as letras não são.

Do livro Romanceiro da Ribeira de Muge.

domingo, 27 de março de 2016

COMUNICADO Programa do Dia dos Moinhos Abertos 2016 no Moinho do Fidalgo (Paço dos Negros – Almeirim)

 

A Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge vem pelo presente meio anunciar a programação do Dia dos Moinhos Abertos 2016, a desenvolver no Moinho do Fidalgo, em Paço dos Negros (Almeirim), nos próximos dias 9 e 10 de abril de 2016, das 15.00h às 18.00h. Sendo dos poucos engenhos a nível nacional, senão mesmo o único, que participa nesta iniciativa e não está funcional, e não sendo possível coloca-lo a trabalhar, haverá uma programação de atividades a desenvolver, por via a dinamizar este engenho centenário. A saber: 

  • Sessão de abertura, no sábado dia 9, às 15.00h, com o descerramento do Cartaz Oficial dos Moinhos Abertos 2016.

  • Exposição “Cereais da Ribeira de Muge – do Canteiro à Mesa”, integrada no tema anual da academia – A Cultura Popular. Aqui pretende-se mostrar todo o caminho dos cereais, nas suas três fases fundamentais: a produção agrícola, a transformação do cereal no moinho e a sua utilização na gastronomia local. A exposição versará não só objetos, como também fotografias. Esta irá estar acessível no período de abertura do moinho, referido acima. 

  • No domingo, dia 10 de abril, às 16.00h haverá no moinho uma sessão de “Conversas no Moinho com… Sónia Colaço, sobre A Valorização do Património Ambiental”. Sónia Colaço, bióloga formada pela Universidade de Aveiro, irá trazer ao Moinho do Fidalgo uma conversa ligada à temática da proteção e conservação da natureza.

O Dia dos Moinhos Abertos é uma iniciativa de âmbito nacional, que conta em 2016 com a sua 10.ª edição. É promovida pela Rede Portuguesa de Moinhos, e desenrola-se no fim-de-semana mais próximo ao Dia Nacional dos Moinhos (7 de abril). Tem como principal objetivo colocar abertos e visitáveis o maior número de engenhos no mesmo dia em todo o país. 

A Academia Itinerarium XIV participa nesta iniciativa pelo terceiro ano consecutivo, com o Moinho do Fidalgo, localizado no complexo do Paço Real da Ribeira de Muge. Este moinho, cuja data de construção exata desconhecemos, mas que terá cerca de cem anos, é um dos poucos da Ribeira de Muge que não se encontra totalmente abandonado, tendo sido palco de alguns eventos da academia além deste dia.


quinta-feira, 24 de março de 2016

Recordações de Quinta-feira-santa

AS BRINCADEIRAS

A Festa e o Sagrado de Transgressão

Dependentes de uma agricultura cujos métodos de exploração eram rudimentares, a mourejar do sol-fora ao sol-posto, as pessoas na aldeia vivem muito ligadas à Natureza. Existia uma sacralidade cósmica na relação das pessoas com a Natureza. A própria festa em comunidade rural, onde a agricultura de subsistência convive com o pequeno assalariato agrícola, por vezes sendo estas categorias assumidas pela mesma pessoa, decorre em função dos tempos sociais e do calendário religioso.
As Brincadeiras, ajuntamento anual, desfile de cultura popular, aparentando ser um mero encontro profano, mais não era que a criação, o reconhecimento de um tempo e um espaço diferenciados. O espaço temporal em que decorrem os festejos torna-se, para o povo, um espaço inscrito no tempo, tempo que é um tempo cíclico, inviolável, que aguardam ano após ano. O espaço físico sendo um espaço secular é para estas multidões rumorosas e festivas ocupado como um espaço simbólico sagrado. Povo habituado ao sofrimento, quando não à fome, sendo dois meios-dias de jejum, não há lugar sequer para a comida e a bebida, muito menos os seus excessos. Era assim criado um tempo e um espaço fortes em que as cantigas e os jogos campestres são claramente os elementos aglutinadores do grupo social que é a aldeia.
São pois estes rituais festivos campos de significação pelos quais a aldeia se comunica e se relaciona. O tempo da festa é vivido como um tempo mítico, o regresso a um passado primordial e imaginário, como que uma evocação e imitação de todos os que os precederam, rompem com as preocupações da vida quotidiana. As recordações de festas passadas e a expectativa das que hão-de vir, são memória e desejo, no qual as pessoas se sentem felizes.

Cantava-se e brincava-se sem parar. Um dos jogos era A Biloa.
Um grupo jovens, raparigas e rapazes, normalmente eram duas raparigas com as mãos agarradas fazem um arco. O restante grupo, em fila, agarrados pelos ombros, com a mãe à frente, vão passando, sucessivamente, por baixo do arco, enquanto cantam. Ao chegarem junto do arco, imploram, cantando:

Eu peço ao senhor barqueiro
Se me deixava passar
Tenho filhos pequeninos
Não os posso sustentar.

As duas raparigas que fazem de barqueiro, respondem enquanto a fila vai passando:

Passará não passará
Mas algum cá deixará
Se não for a mãe da frente
Há-de ser o filho de trás.

Perguntam, em segredo, ao último da fila, que impedem de passar: queres o sol ou queres a lua? Ou: queres a laranja ou o limão?, etc. Consoante a escolha, vão-se colocando, ora de um lado, ora do outro.
No final os cada grupo, agarrados, fazem o jogo da corda queimada. Ganha o grupo que conseguir arrastar o outro.