A Ribeira de Muge fica situada na orla de um dos maiores desertos humanos de Portugal, a floresta de Entre-Muge-e-Sorraia. Esta região pode exibir ainda hoje uma cultura com traços característicos muito próprios, mormente a rude cultura dos pastores, cabreiros e dos negros que aqui habitaram. São estas especificidades que a Academia persegue, "subindo ao povo", como nos diz o grande Pedro Homem de Melo, recolhe, estuda e divulga.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O território da Coutada da Ribeira de Muge

Um casamento efectuado na capela de S. João Baptista de Paço dos Negros, no ano de 1769. Nubentes: António José e Felicia Maria Prates, de Vale Flores. Os padrinhos de Casal do Zebro e Cruzetos, na ribeira dos Grous, limites da Coutada.

.

Ponte na Ribeira de Muge, passagem de Palhas para Almotolias e Vale Flores


domingo, 21 de fevereiro de 2010

O desleixo, a ganância, a incúria e as lágrimas de crocodilo

Agora com a catástrofe que se abateu sobre a Madeira, voltaram as acusações e lágrimas de crocodilo.

O que se vê nesta foto penuncia uma futura catástrofe. Nem sequer é preciso ser profeta da desgraça para adivinhar isto. Basta conhecer este vale e o seu historial de cheias. Todo o aterro que se vê assenta sobre o leito de cheia, no Vale João Viegas, a 30-50 metros da Escola de Paço dos Negros. Ademais um óptimo exemplo para as crianças. Que têm a dizer sobre isto os responsáveis do Agrupamento escolar e da Autarquia e do Ambiente?

sábado, 20 de fevereiro de 2010

António Domingos

Do romanceiro local – Um romance "verso" nascido no período da Guerra 14-18.
Recolhido em Paço dos Negros, após persistentes dois anos de pesquisa.

António Domingos

Eu sei mesmo com certeza
Que eu a França vou morrer
Adeus mana Virgínia
Nunca mais te eu torno a ver

Adeus mana Luciana
Ó mana do coração
Eu agora vou para França
                                   Vou morrer de um alemão – recolhido à posteriori

Adeus ó mana Emilha
És minha mana real
Que alegria tinhas tu
Se eu voltasse a Portugal

Adeus ó sítio da França
Tens uma rosa encarnada
Onde morreu o António Domingos
Queimado de uma granada

Adeus ó sítio da França
Lá no meio tens uma flor
Adeus Conceição Jacinta
Já morreu o teu amor

Torradas novas torradas
A faca corta o limão
Já morreu o António Domingos
Cravo roxo em botão

Clique aqui: António Domingos


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Raposa - Um pouco da sua história

Um documento guardado no Patriarcado,  relata a visita que fez Feliciano Luís Gonzaga, visitador do Patriarcado, em 1760, a qual principiou em Raposa, no dia 1 de Junho, seguindo-se Lamarosa, Erra, Montargil, Chouto…, Torres Novas, e terminou em Alcanena e Monsanto a 4 de Agosto, num total de 30 paróquias.
Neste podemos confirmar a dedicação a S. João Baptista a tão desprezado capela real de Paço dos Negros.



Isaías da Rosa Pereira, Visitas paroquiais da região de Torres Novas, ano de 1760: 45:

Torre sineira da Igreja de Santo António de Raposa

domingo, 14 de fevereiro de 2010

D. Inês

D. INÊS (OU BRAVO FRANCO, D. FRANCO, GALLO FRANCO, RICO FRANCO, ETC.)

Teófilo Braga refere que “este admirável romance, coligido da tradição dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, não tem sido até agora encontrado nas versões continentais”. Apresenta algumas versões com os nomes que usamos nos subtítulos, que relaciona com a lição castelhana:

En Madrid hay un palacio/Que le llaman Urabé/en el vive una señora/Que llaman Isabel.

Leite de Vasconcelos, por sua vez, dá-nos uma versão muito incompleta, recolhida em Lageosa, Oliveira do Hospital.

Tivemos o privilégio de, no Agosto de 2005, no vale da Ribeira de Muge, em Paço dos Negros, encontrar este pelos vistos perdido tema, que não direi que está desfigurado, mas sim e mais uma vez adaptado à realidade local. “Verso” antigo, de grande beleza e expressividade de linguagem, canta o rapto de uma donzela.

Clique aqui para ouvir D. Ines