A Ribeira de Muge fica situada na orla de um dos maiores desertos humanos de Portugal, a floresta de Entre-Muge-e-Sorraia. Esta região pode exibir ainda hoje uma cultura com traços característicos muito próprios, mormente a rude cultura dos pastores, cabreiros e dos negros que aqui habitaram. São estas especificidades que a Academia persegue, "subindo ao povo", como nos diz o grande Pedro Homem de Melo, recolhe, estuda e divulga.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

D. Inês

D. INÊS (OU BRAVO FRANCO, D. FRANCO, GALLO FRANCO, RICO FRANCO, ETC.)

Teófilo Braga refere que “este admirável romance, coligido da tradição dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, não tem sido até agora encontrado nas versões continentais”. Apresenta algumas versões com os nomes que usamos nos subtítulos, que relaciona com a lição castelhana:

En Madrid hay un palacio/Que le llaman Urabé/en el vive una señora/Que llaman Isabel.

Leite de Vasconcelos, por sua vez, dá-nos uma versão muito incompleta, recolhida em Lageosa, Oliveira do Hospital.

Tivemos o privilégio de, no Agosto de 2005, no vale da Ribeira de Muge, em Paço dos Negros, encontrar este pelos vistos perdido tema, que não direi que está desfigurado, mas sim e mais uma vez adaptado à realidade local. “Verso” antigo, de grande beleza e expressividade de linguagem, canta o rapto de uma donzela.

Clique aqui para ouvir D. Ines

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Fazendas de Almeirim - A sua génese

Fazendas de Almeirim é terra recente. Completaram-se em 2009, a 16 de Julho, os 50 anos da criação da paróquia de Fazendas de Almeirim. A criação da freguesia é anterior, 1956, todavia foi a paróquia que impulsionou a fundação da freguesia.
Eis um pouco da história desta, hoje vila, Fazendas de Almeirim.
Com o aforamento e emprazamento do território da Coutada, não só a Casas aristocráticas, mas também a populares, por todo o século XVIII, aumentou o número de populações que se vieram a fixar ali. Por todo o século XIX encontramos grande incremento de aforamentos, compras e vendas de terrenos na “Charneca de Almeirim”.
Extrapolando dos recenseamentos da época, dispersos em casais, no território que veio a tomar nome de Fazendas de Almeirim, viveriam já, em 1864, cerca de 1000 habitantes. Almeirim total (território actual), 4268. S. João Baptista 3181. (vila – 2100), Benfica 717; Raposa, 360. (com Alpiarça, no ano de 1858, 5657 habitantes).
As primeiras referências que encontrámos até agora, no cartório de Almeirim, ao termo “Fazendas”, são de cerca de 1880, numa fugaz aparição. É a partir do ano de 1921 que, simultaneamente com os termos “Charneca” e, por vezes, “Casais” (do Concelho), e até ao ano de 1939, o topónimo “Fazendas de Almeirim” alterna com os dois anteriores. A partir desta data, apenas é usada a actual designação de Fazendas de Almeirim.
Em 1960, no recenseamento, o primeiro em que aparece, tem Fazendas já 3134 habitantes. Freguesia, total: 4893 (incluindo já Paço dos Negros com 782 e Marianos 354, e isolados 603, saídos (a maioria) da freguesia de Raposa. No censo de 2001, tem a freguesia, 6251 habitantes.
Criado o vicariato em 1954, a freguesia em 1956, a paróquia em 1959, foi nos gloriosos anos de 1939-41, quando um povo inteiro, a rapaziada andava lá, e viveu a construção da Capela de S. José, que teve grandes impulsionadores: o Califa, o Guilherme Botas, o Amândio Pombas e muitos outros, e essa grande figura que foi o João Mateus, que cantava à Jesuína Botas, que ia buscar água à fonte, a cerca de 1km de distância:


Jesuína,
Tão ladina,
Vai à fonte
Com a tua cantarinha;
Vai à nora
E sem demora,
Enche a quarta,
Vem-te embora,
Quero beber,
Água fresquinha.

Em casa ou na rua,
Quero água da tua,
Para matar a mágoa;
Tens bom coração,
Virtude e condão,
Tem a tua água.

Foi pois, neste ano de 1941, ano da inauguração da Capela e seguintes, os das festas e das récitas populares, que Fazendas ganhou a unidade e a força que veio a permitir a criação da freguesia em 1956.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Associação Itinerarium XIV - Ribeira de Muge

O Vira da Tira


O antigo Casal Tira é um pequeno povoado junto e, actualmente, por muitos de nós considerado como inserido em Marianos.
Este vira, por mim procurado durante vários meses, localmente, veio a ser recolhido em Paço dos Negros.
A letra, repassada pelo tempo, é uma bela metáfora, sobre os valores e vivências sociais. Prova que o povo simples, mesmo sendo iletrado, sabe construir, apreciar e guardar as melhores canções.
É interpretado pelo nascente coro das "Mulheres da Ribeira de Muge".

Na primeira quadra um rapaz recorda à rapariga, zangada, os tempos em que lhe dava os seus carinhos.

Ó roseira tu tens bicos
Talvez me queiras picar
Não te lembras ó roseira
Quando eu te ia regar

Na segunda, quiçá o rapaz mostra arrependimento:

Aquela menina chora
Chora que eu que a enganei
Neste mundo chora ela
No outro eu pagarei

Na terceira uma rapariga afirma que a sua honra não se vende, pelo que só a palavra de um homem digno lhe interessa.

A honra de uma donzela
Não é paga com dinheiro
É paga com uma palavra
Dum rapaz que é verdadeiro

Oiça aqui o Vira da Tira

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

D. Sebastião e o Paço dos Negros

D. Sebastião

Muitas são as histórias do rei D. Sebastião nas caçadas, nas coutadas de Almeirim e da Ribeira de

retirado

Mulheres da Ribeira de Muge



Oiça no post anterior "Oh preto, oh preto", dança recolhida na Ribeira de Muge, em Paço dos Negros. Era dançada só por homens, ainda no início do século XX.