Pois é, ontem foi o dia 1 de Abril. Mas que importa uma mentira de um dia, perante a mentira oficial que muitos anos? Também é preciso gozar com o pagode. Também eu gostava que fosse verdade, que a ignorância terminasse, que o Paço fosse classificado de Interesse Municipal, mas não. O amesandado lóbi do Restopórtico é muito poderoso, está em todo o lado, como se pode ver no erro que persiste em continuar, in loco, e em tudo o que é panfleto auto-reproduzido.
Apenas o pórtico ainda marca um símbolo da História de Almeirim que continua a desafiar o tempo e a pedir que a sua imagem não se perca no esquecimento.
http://www.cm-almeirim.pt/almeirim/Concelho/Historia/OPacoDosNegrosDaRibeiraDeMuge.htm
Do antigo Paço do século XVI, resta o pórtico que dava acesso ao pátio, coroado pelo escudo real.
2080-640 FAZENDAS DE ALMEIRIM
http://estilosdevida.rtp.pt/rtp/ruinas-do-paco-real-dos-negros-locais-a-visitar-almeirim-paco-dos-negros-fazendas-de-almeirim-640-1.html
Do antigo Paço do século XVI, resta o pórtico que dava acesso ao pátio, coroado pelo escudo real.
Paço dos Negros
2080-640 FAZENDAS DE ALMEIRIM
http://www.lifecooler.com/portugal/patrimonio/RuinasdoPacoRealdosNegros
Pórtico de Paço dos Negros - Do antigo Paço, construído no séc. XVI,apenas resta a magnífica portada que daria acesso ao pátio. in "Folheto Turístico", Região de Turismo do Ribatejo
http://www.ribatejo.com/ecos/almeirim/ampatrimonio.html
Património cultural e edificado: Pórtico de Paço dos Negros.
http://www.europamoraaqui.ludicom.pt/dvd/works/santarem-e.b.faza.his2.pdf
Pórtico de Paço dos Negros – Almeirim. Foi erigido no ano de 1512… [na verdade 1511] http://www.jornaldasautarquias.com/pages/31/index.php?page=cultura_vfx
Edificado num espaço tipicamente originário, resta apenas deste atraente local do séc.: XVI, o pórtico e o próprio nome de Paço dos Negros,
http://www.distritosdeportugal.com/santarem/fazendas_almeirim/index.htm
Pórtico de Paço dos Negros
Na Raposa, [NA VERDADE FAZENDAS DE ALMEIRIM] a 13km do centro, encontramos os restos do Paço refeito por D. Manuel I, no século XVI, precisamente em 1512, [na verdade 1511] atestado pela carta do Rei ao seu escudeiro Diogo Rodrigues. Sobrou uma magnífica portada que daria acesso ao pátio…
(Neste, se põe o Paço na Raposa, por outro lado põe o Convento da Serra na freguesia de Fazendas.)
http://www.agenda.pt/iframe.php?subcat=ALMEIRIM
Na Raposa, [NA VERDADE FAZENDAS DE ALMEIRIM] a 13km do centro, encontramos os restos do Paço refeito por D. Manuel I, no século XVI. Sobrou uma magnífica portada
http://www.inportugal-tourism.com/visitaralentejo.htm#almeirim
Destaque para a Igreja Matriz, o Pórtico do Paço dos Negros
http://www.pintolopesviagens.com/pdf/2010/carnaval_pascoa.pdf
A Ribeira de Muge fica situada na orla de um dos maiores desertos humanos de Portugal, a floresta de Entre-Muge-e-Sorraia. Esta região pode exibir ainda hoje uma cultura com traços característicos muito próprios, mormente a rude cultura dos pastores, cabreiros e dos negros que aqui habitaram. São estas especificidades que a Academia persegue, "subindo ao povo", como nos diz o grande Pedro Homem de Melo, recolhe, estuda e divulga.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
quarta-feira, 1 de abril de 2015
O lóbi do Restopórtico
Quero transmitir os meus parabéns aos responsáveis que, finalmente retiraram a malfadada placa do Restopórtico, dando assim o seu a seu dono: Paço Real da Ribeira de Muge. Até porque, SEGUNDO DOCUMENTO COEVO, e os entendidos na matéria, de PORTAL se trata, e não de Pórtico:
Ainda que seja um pouco serodiamente, pois, como se vê, o lóbi do Restopórtico já começou a parir uns espúrios filhotes da ignorância atrevidota, tal a aberração da foto. Ainda assim, os nossos sinceros parabéns.
quinta-feira, 26 de março de 2015
Curiosidades históricas locais - Raposa
Paroquial de Raposa
Nestas deambulações e pesquisas, um dia um amigo, nascido em 1925, disse-me que o pai lhe contava de que quando nasceu, e antes, esta zona, que desde pelo menos 1706, pertencera à freguesia de Raposa, desde 1957 pertence à freguesia de Fazendas de Almeirim, pertencera alguns anos à freguesia de Benfica do Ribatejo.
Nunca ouvira falar em tal. Parece-me que ninguém fala de tal, ou que sabe não quer que se diga. Mas intrigava-me de nos recenseamentos de 1911 e 1920, não constar a Raposa, e o cômputo das populações, como se pode ver, estarem integradas na freguesia de Benfica.
(Na imagem pode verificar-se este facto, bem como o primeiro recenseamento da freguesia de Fazendas em 1960, e o restabelecimento da freguesia de Raposa no recenseamento de 1930, com a população de Paço dos Negros e Marianos incluída, até 1957, onde desce cerca de mil habitantes no recenseamento de 60, com a passagem para Fazendas).
A breve trecho, encontrei um doc, que reza o que o meu amigo me contava. Pero Pez, ou casal Moreira, junto a Marianos, pertencera à freguesia de Benfica, já nos anos de 1890.
Eis pois o decreto que confirma a data, 1928, da desanexação do território de que vimos a falar:
segunda-feira, 23 de março de 2015
COMUNICADO: Dia dos Moinhos Abertos 2015
A Academia Itinerarium XIV irá este ano, pela segunda vez, aderir ao Dia dos Moinhos Abertos, tendo inscrito neste evento o Moinho do Fidalgo, em Paço dos Negros, concelho de Almeirim. Este ano, a iniciativa terá lugar nos próximos dias 11 e 12 de abril.
Neste ano de 2015, além de poder ser visitado o moinho, que normalmente está fechado. Os visitantes irão encontrar uma exposição de gravuras de Maria Castelo, sobre os moinhos que existem (ou existiram) na área de Paço dos Negros. De todas estas, destacamos a imagem do muito conhecido Moinho de Vento, que deu o nome à Rua Moinho de Vento, onde se localizava. Este engenho deixou de laborar há cerca de 65 anos, tendo sido a sua estrutura desmantelada. Alguns anos depois, o morro onde se erguia foi arrasado, por forma a nivelar a Rua do Paço. Qualquer pessoa de Paço dos Negros com menos de 45 anos sempre ouviu falar dele, mas não tem dele qualquer imagem. Será sem dúvida um momento marcante para a comunidade desta aldeia, que terá a imagem de um elemento que faz parte da sua identidade.
Moinho do Fidalgo
Para além desta exposição, que estará patente no Moinho do Fidalgo nos
dois dias do evento, a Academia irá ainda promover uma caminhada entre o Moinho
do Fidalgo e o Moinho do Pinheiro (também conhecido como Moinho do Bento), que
designou como “Pelos Moinhos do Palha”. Este último moinho, em conjunto com o
Moinho da Ponte Velha (que irá ser avistado ao longo do percurso), assim como o
desaparecido Moinho de Paço dos Negros foram propriedade no séc. XVI de Vasco e
Francisco Palha, daí o seu nome. Será vista, no Moinho do Pinheiro, uma mó
francesa, elemento técnico de cariz avançado na tecnologia moageira.
sábado, 21 de março de 2015
Dia Mundial da Poesia III - Como eu brincava, ninguém adivinha
Como ficara decidido, pela Academia que seriam publicadas neste dia, três "poesias", coisas do povo, iletrados alguns, aqui vai a homenagem final.
Quando eu era criança
Brincava com o que tinha
Fazia uma boneca de trapos
Como eu brincava, ninguém adivinha
Tão bonita a minha boneca
Braços e pernas eram de buínho
O cabelo era de barba de milho
Como eu brincava ninguém adivinha
Quando se partia uma peça de loiça
Ninguém adivinha e nem vai acreditar
Eu ficava toda contente
Para os pedacinhos aproveitar
No quintal com umas pedras
Fazia a minha cozinha
Aproveitava os cacos mais bonitos
Como eu brincava ninguém adivinha
Noutra divisão fazia o quarto
Para a minha boneca deitar
Nos pedacinhos de retalhos
Se eu disser nem vão acreditar
Ao 84 não posso voltar atrás
Mas tenho tudo na lembrança
Já posso brincar outra vez
Já sou outra vez criança
Recolhido por Manuel Evangelista junto de Maria de Lurdes Baptista
Dia Mundial da Poesia II - O sonho
Foto de Marcos Evangelista. Premiada em concurso de fotografia, Chamusca, 2003.
Depois de um dia de trabalho
Senti-me muito cansada
Que me errei a dormir
Mesmo no chão assentada
Acordei era escuro
A noite estava cerrada
Sem saber o meu futuro
Eu já não via nada
Apenas uma sombra desabitada
Com uma cova lá dentro
Junto dela uma enxada
Onde sepultei meu pensamento
Fui arrastada pelo vento
Que me levou pelo ar
Numa montanha de cinzento
Ele aí me foi poisar
Lá vi o céu e o inferno
Ouvia gente a gritar
Ouvi alguém a sorrir
E os anjos a cantar
Foi tudo tão de estranhar
Por onde quer que passei
Se me vierem procurar
Eu contar-lhes não sei
Fiquei meio perturbada
O caminho era diferente
Não vi nada rastejado
Pelos passos de outra gente
Fui andando para a frente
Por altos e montanhas
Ouvi barulhos de outros seres
Com umas vozes tão estranhas
Galguei vales, galguei espinhos
Galguei estradas e carreiros
Vi os pássaros em seus ninhos
Lá em cimo nos outeiros
Onde estavam os carvoeiros
Com os fornos em chama
Isto não passou de um pesadelo
A dormir na minha cama.
Recolhido por Manuel Evangelista junto de Silvina Fidalgo
Dia Mundial da Poesia I - Zé Moira
Vim parar ao Vale da Lama
Para me fornecer de capitais
Entre matos e chaparrais
Imito a fraga africana
Eu tenho tantas farturas
Sem conhecer o dinheiro
Por falta de candeeiro
Deito-me sempre às escuras
Tenho portas sem fechaduras
De palhas é o telhado
Tenho um tecto envernizado
Com fumos de várias cores
Neste jardim de flores
Estou deveras encantado
Eu nunca posso usar
Casaco nem sobretudo
A mim me faz falta tudo
Pois assim é que é gozar
Uma esteira para me deitar
Por não ter outra cama
Era uma pobreza franciscana
A minha roupa são farrapos
Os meus companheiros são gatos
Porque habito numa cabana
O meu calçado fino é
Foi feito por um vaqueiro
As solas são de salgueiro
Que mal posso andar de pé
Ainda não perdi a fé
De comprar um vestuário
E umas lindas alpercatas
Para dar ligeiro de patas
No deserto solitário
É um signo de mau porte
E com ele temos que seguir
E assim temos de cumprir
Cada um com sua sorte
Eu fugi a este golpe
Para ver se ninguém me chama
Vim esbarrar ao Vale da Lama
Para me fornecer de capitais
Entre matos e chaparrais
Imito a fraga africana.
Recolhido junto de Norberto Evangelista por Manuel Evangelista.
domingo, 15 de março de 2015
O Terreiro do Paço e os pinheiros da Várzea do Pinhal, nos Gagos.
Um relato sonoro de um homem que nasceu em 1915, Rafael Roberto, um sábio, que ilustra o tema desta foto que com a devida vénia, partilho: O transporte de pinheiros, no início dos anos 20, do século passado, de Gagos na ribeira de Muge, para o Tejo, em carros de bois, e daí para o Terreiro do Paço, em Jangadas. Clique para ouvir (2 minutos):
https://dl.dropboxusercontent.com/…/O%20Porto%20do%20Mijado…
Com a devida vénia, foto de Hélio Matias, de Vallado dos Frades. (facebook)
https://dl.dropboxusercontent.com/…/O%20Porto%20do%20Mijado…
Com a devida vénia, foto de Hélio Matias, de Vallado dos Frades. (facebook)
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
A capela de S. João Baptista CONT.
Foto de 2004 do livro Lendas da Ribeira de Muge,
Frente da capela de S. João Baptista – Pode ver-se a porta entaipada.
Atulhada numa lixeira, aquela era a porta da Capela quinhentista, de S. João Baptista, que teimava em resistir.
Em 2005, cerca de 20 anos após ter sido adquirido o espaço, pela Câmara municipal, foi um grupo de cidadãos da terra, encabeçados e organizados pelo Dr. Aquilino Fidalgo, que teve a visão e a coragem de transformar aquela lixeira, num espaço histórico e cultural agradável, mágico e cheio de simbolismo.
As realidades devem ser ditas: a câmara, sempre atenta e pronta a aproveitar-se do trabalho dos outros em seu proveito, mas sempre, e até hoje, fugindo à sua responsabilidade de classificação deste monumento concelhio, a três meses das eleições, em Julho de 2005 consegue fazer algumas obras, como colocar uma porta de alumínio. Em 2007/08 um reboco em cimento.
Festa, 02-07-05
sábado, 14 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
D. Sebastião no Paço da Ribeira de Muge - 443 anos
Escudo frontal do portal do paço da ribeira de Muge
O Padre Amador Rebelo, 1532-1622, in Relação da vida d’el-rei D. Sebastião, (em Francisco Sales de Mascarenhas Loureiro), diz-nos que em questões de preferência, em três lugares onde tinha seus paços reais, onde D. Sebastião costumava ordinariamente residir, era Almeirim o primeiro.
Muitas são as histórias do rei D. Sebastião nas caçadas, nas coutadas de Almeirim e da Ribeira de Muja, conforme documentos, e sugerem as fugas a sua avó durante as suas longas estadias nos paços de Almeirim. São conhecidas as várias histórias de quando adolescente, o Rei Menino, passou em Almeirim excelentes férias e muitas aventuras, de tal modo se apegou a esta sua Vila Real que, como nenhum outro rei seu antecessor, aí se demorou como soberano durante longos e frequentes períodos. No Paço se atinha e governava e nos campos e bosques monteava com destreza, por vezes não muito prudente.
Causando preocupações à avó, a rainha D. Catarina, se embrenhava nos matagais das coutadas de Almeirim e Ribeira de Muge. Aquela em que aos 11 anos se atreveu a varar um javali, salvando da morte o seu aio, D. Aleixo de Meneses:
(Henrique Leonor Pina): «Partido de Almeirim manhã cedo, D. Sebastião e a sua comitiva de caça, viram nascer o sol já avistado o Convento da Serra. Desceram no sentido leste, do Paço da Ribeira de Muge, eis quando, nas Ferrarias, se levantou um poderoso javali. Com decisão o rei apontou a choupa ao pescoço da fera e cravou certeiramente a arma entre o peito e a omoplata. Surpreendida, a fera ainda tentou morder os corvilhões do cavalo. Era o seu primeiro javali. Uma presa real. Refeita do susto, a comitiva cercou e cumprimentou D. Sebastião que ordenou que seguissem para o Paço dos Negros, onde se jantou*.»
* Ao jantar daquele tempo, cerca do meio-dia, corresponde hoje o nosso almoço.
De D. Sebastião se relatam alguns casos bem estranhos. Ainda dos escritos de Padre Amador Rebelo, (idem), o caso do rei que mostrou ter “boa boca”:
«Aconteceu uma vez que estando em Almeirim, foi com a sua comitiva a monte ver se matava um javali, que lhe tinham emprazado. Havia mandado levar o jantar. Para não errar o lanço do porco, começou el-rei a correr após ele, e correndo por muito tempo, perdeu-se.
Não tomando o caminho, ele e um fidalgo que com ele estava, subiram a um monte, e avistando um pastor com suas cabeças de gado, este lhes indicou o caminho para Almeirim, longe que estavam. Como apertava a fome com el-rei, era tarde e não tinham jantado (almoçado), disse para o pastor, tendes aí um pedaço de pão que me deis? O pastor respondeu que só um muito duro e preto, que não é para vossa mercê, que não conhecia el-rei. O rei pediu que o partisse com ele, e o comeu com tanto gosto, que disse depois que nunca em toda a sua vida comera coisa que melhor lhe soubesse.»
As fugas nocturnas à avó, a rainha D. Catarina. O caso em que posto em cima de uma árvore, esperava um javali, viu um vulto, e descendo com pressa, investiu com ele, era um negro boçal** que tinha fugido:
«Saía de noite às dez horas a passear à praia só sem companhia, e no bosque de Sintra do mesmo modo. Esperava em Almeirim posto sobre uma árvore um javali, e aplicando a vista viu um vulto, e descendo-se com pressa investiu com ele: ao estrondo acudiram alguns monteiros, imaginando seria fera; acharam porém o Rei lutando com hum negro boçal, que havia largos dias que fugindo a seu amo, habitava com as feras daquele monte.» (António Caetano de Sousa, Do rei D. Sebastião, cap. XVII).
Mas uma data concreta em que D. sebastião esteve neste Paço encontramo-la em (A. Simancas, Estado, legajo 390, f . 88, citado em Joaquim Veríssimo Serrão , Os itinerários de D. Sebastião, 1568-1578):
Quando uma vez, aos 17 anos, estava o rei D. Sebastião em Almeirim desde 21/12/1571, uma carta de 10/02/1572, do cardeal a Dona Catarina, que estava em Lisboa, diz que D. Sebastião passou alguns dias no Paço da Ribeira [de Muge]: «elRey meu sor esta muito bem. não se lhe deve dizer algua cousa que de algua sospeita. E elRey meu sor esta nos Paços da Ribeira e não a de vir senão amanhã a noite. E também esta para ir ver V. A. logo na entrada da coresma.»
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
A Capela de S. João Baptista
A Capela de São João Baptista
A Capela de S. João Baptista, o local mais sagrado, o lugar onde nasceu Paço dos Negros, em 1511, vai ter à luz do dia o livro com a sua História, no próximo 24 de Junho, dia do seu patrono.
Traz uma carta de D. João III para o embaixador em Roma, para que este trate junto do Papa Clemente VII, a permanência de um frade, um tal Diogo Pacheco, do qual me quero serviir
na capelania da capela dos meus paços da Ribeira de Muja por ser dele
e de sua bondade bem enformado e por os vezinhos dali d'aredor estarem
dele e de seu serviço contentes... Local de grande importância para a realeza, mas mais importante deve ser para a localidade, pois foi ali que de alguma forma, durante quase 400 anos, se desenrolou a cultura e a vida da terra.
Esperemos que a obra de reposição do telhado, enobreça o monumento com autenticidade no exterior, e ao mesmo tempo dignifique com alguma beleza aquela magnífica nave.
Mas quando vemos num SITE, que anuncia a obra: « segunda feira, 2 de fevereiro de 2015 pelas 15:00
(...)
e aprovação de um subsidio 14. Apreciação ao Rancho Folclórico de Paços dos Negros destinado a obras de reparação do telhado» (sic)
Assim mesmo, fico a pensar: Saberão o nome da capela? Saberão a sua História? sentirão o peso da responsabilidade de restaurar um monumento o qual, como se vê, desconhecem por completo?
Por mim, fica dito que não aceito uma obra que não dignifique o lugar, o monumento, a matriz, onde nasceu a minha terra.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Mulheres da Ribeira de Muge
Completou-se hoje, e foi entregue à informante, o 52º CD da Colectânea Mulheres da Ribeira de Muge.
Estas coisas não se agradecem. São do povo. Parabéns Joaquina por transmitir os seus conhecimentos às gerações vindouras.
1 Nome Joaquina
2 Rosa
3 Rosalina
4 Tira a rosa meu bem
5 Prosa do pai
6 A porca
7 O meu vizinho Albano
8 Linda Isaura
9 Chaninho gato
10 Albertina
11 António Domingos
12 Manel Braz
13 Barragem da Pipa
14 António veio de viagem
15 Ai que chita tão bonita
16 Erva cidreira
17 Carrapiteiro florido
18 Manel Faustino
19 Cabreirito.mp3
20 Augusto não pensaste bem
21 Numa aldeia alentejana
22 O preto
23 Se tu visses o que eu vi(m)
24 Nobre senhora
25 O Cão
26 Uma cabra caga trapos
27 Ó criada tu mal sabes
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Panorâmica do Paço Real
Vista aérea do Paço Real da Ribeira de Muge.
Muito maltratado, por sinal. Mas ainda a tempo de uma boa recuperação.
Fotos de Marcos Evangelista
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
2015: O ano em que assinalam os 500 anos de Antão Fernandes como almoxarife do Paço Real da Ribeira de Muge
Assinatura de Antão Fernandes
Depois de em 2014 ter assinalado os 500 anos da
finalização do Paço Real da Ribeira de Muge, em 2015 irá a Academia assumir
como efeméride do ano a tomada de Antão Fernandes como almoxarife do Paço Real
da Ribeira de Muge.
Não temos conhecimento da data exata da sua
nomeação, se é que teve uma nomeação oficial. No final de 1514 o cargo de
almoxarife ainda era exercido por Diogo Rodrigues. Datado de 13 de junho de
1515, num documento em que Antão Fernandes assume receber 300$000 da Casa da
Mina para pagamento de obras nos paços de Almeirim e da Ribeira de Muge, surge
referido pela primeira vez como titular do almoxarifado do Paço Real da Ribeira
de Muge, cargo para o qual houvera sido nomeado por Pedro Matela, Contador Mor
de Santarém e Abrantes e Corregedor perpétuo da Vila de Almeirim. Talvez por
ter sido nomeado por Pedro Matela, Antão Fernandes nunca teve um alvará de
nomeação régia, como os restantes almoxarifes. Ou pelo menos é esta a razão
mais plausível que podemos apontar para o facto de o desconhecermos.
Reprodução do documento onde Antão Fernandes é designado pela primeira vez como almoxarife do Paço Real da Ribeira de Muge
Antão Fernandes foi nomeado em maio de 1504 como
escrivão do Almoxarifado de Almeirim. Enquanto exerceu o cargo no Paço Real da
Ribeira de Muge, onde estava obrigado a viver em permanência, obteve
autorização do rei para construir um moinho no Vale João Viegas, que
acreditamos que seja um dos que chegou ao início do séc. XX. Morreu no
exercício deste cargo, por volta de 1522 (é neste ano que é nomeado Luís Mota
como almoxarife do Paço Real da Ribeira de Muge, por morte de Antão Fernandes).
domingo, 4 de janeiro de 2015
A arte da caça no Paço Real da Ribeira de Muge
Nove moios de milho anuais para as aves do Paço da ribeira de Muge. Nove moios perfariam cerca de oito mil quilos.
Sendo o Paço erguido para o "desenfadamento" do rei, estas aves eram certamente os falcões tanto de Alto-voo como de Baixo-voo, usadas nas caçadas reais: duas técnicas de caça.
«Alto-voo
A ave é largada do punho para o ar para que “remonte”,
isto é, para que ascenda sobre o terreno de caça até se colocar
alto, onde aguardará, descrevendo círculos, ou “tornos”, que a
peça de caça seja levantada pelo falcoeiro, normalmente com a
ajuda de cães.
É também designado lance de “altanaria”, ou “voo de espera”.
O ataque é realizado em rapidíssimo voo descendente, no
qual o falcão intercepta a presa, “ preando” no ar, ou derribando
a presa ao chão.
Os lances de altanaria praticam-se em grandes espaços
abertos e caçam-se voláteis, ou espécies de pena (patos, sisões,
faisões, perdizes, pombos, etc.)
Baixo-voo
Modalidade de caça na qual se utilizam açores, gaviões e
algumas espécies do género aquila.
A ave é lançada do punho enluvado do falcoeiro no encalço
da peça de caça, quando esta já se encontra em voo, ou em corrida.
A ave caçadora realiza um voo de sprint, descrevendo uma
trajectória recta da luva até à presa, de pelo, ou de pena, sendo
por isso também chamado “lance à vista”, ou ainda “lance a
braço-tornado”?». (Cetraria, uma arte medieval, arquivo histórico municipal, torre de almedina)
«Sejam certos os que este conhecimento virem como é verdade que Antão Fernandes almoxarife dos Paços da Ribeira de Muge recebeu de Afonso Monteiro almoxarife das Jugadas de Santarém os nove moios de milho que era ciente recebesse para despesa das aves dos ditos Paços os quais nove moios de milho são do ano passado de 518 e porque é verdade que os dele recebeu lhe dei este por ele assinado. Feito por mim Cristóvão Dias escrivão dos ditos paços que os sobre ele dito almoxarife carreguei em receita. Feito aos III dias do mês de Maio de mil 519 anos.
Antão Fernandes Cristóvão Dias»
(cf. CC, 2, maço 84, doc.146). CC, 2, maço 81, doc.122)
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Comunicado - A Academia Itinerarium XIV em 2014 e 2015
A Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge nasceu com o objetivo de valorizar, promover, estudar e divulgar o património, a história e a cultura dos locais em torno da Ribeira de Muge, na parte que abarca essencialmente o concelho de Almeirim (os atuais lugares de Paço dos Negros, Raposa e Marianos). Neste ano de 2014, que está agora perto do fim, a academia tentou dignificar as ruínas do Paço Real da Ribeira de Muge, dotando-as de uma série de iniciativas que pretenderam elevar este espaço, no ano em que assinalaram os quinhentos anos da conclusão do Paço Real da Ribeira de Muge.
Foi um ano cheio para a academia. Em abril participámos em duas importantes iniciativas nacionais: O Dia dos Moinhos Abertos e o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Neste âmbito, promovemos visitas guiadas às ruínas do Paço Real, ou apenas ao Moinho do Fidalgo, assim como trouxemos à cena a peça “Candonga”, escrita, encenada e protagonizada pelos elementos da academia. Repetimos a dose no dia 10 de junho, com a iniciativa “Portugal em Guerras”, onde assinalamos os 100 anos do início da primeira guerra mundial, os 40 do final da Guerra Colonial, mostrando como estes eventos bélicos tiveram impacto na poesia popular. Para além disso, trouxemos ainda à cena no mesmo dia o monólogo “Tempos de Fome” e a peça “O dia prodigioso”, sobre como se viveram os tempos de guerra na Ribeira de Muge. Por fim, encerramos as nossas iniciativas com a comemoração dos 500 anos da conclusão do Paço Real da Ribeira de Muge, numa sessão onde se falou um pouco da história deste vetusto lugar, finalizado com um brinde aos 500 anos.
Posto isto, a Academia Itinerarium XIV vem pelo presente meio agradecer a todos aqueles que participaram nas nossas atividades, esperando que tenham gostado e que voltemos a ter o prazer de privar com todos em 2015. Com efeito, em 2015 iremos continuar a nossa atividade nos mesmos moldes: dedicação, voluntariado e orçamentos zero ou muito reduzidos. 2015 será também para a academia o ano em que se assinala o quingentésimo ano da nomeação de Antão Fernandes para Almoxarife do Paço Real da Ribeira de Muge, efeméride a que daremos o devido relevo ao longo do ano.
Abertura do evento "Dia dos Moinhos Abertos", com a abertura do Moinho do Fidalgo a visitas.
Peça de Teatro "Candonga" - Elenco.
Iniciativa realizada no âmbito do Dia dos Moinhos Abertos
Visita temática às ruínas do paço "O Paço Real da Ribeira de Muge - um lugar de memória"
Iniciativa no âmbito do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios.
Coro da Academia na iniciativa "Portugal em Guerras"
Peça de Teatro "O Dia Prodigioso", no âmbito da iniciativa "Portugal em Guerras"
Sessão evocativa dos 500 anos da conclusão do Paço Real da Ribeira de Muge.
Brinde aos 500 anos do Paço Real da Ribeira de Muge.
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Hoje assinalam-se 500 anos da conclusão do Paço Real da Ribeira de Muge
Sejam certos os que esta carta virem como é verdade que Diogo Rodrigues almoxarife dos Paços da Ribeira de Muja recebeu de Rui Leite tesoureiro da casa del rei nosso senhor seis sacos d’irlanda …/… e assim três alcatifas de Castela, a saber: uma delas de vinte e cinco palmos que foi avaliada em três mil e seiscentos réis e outra de vinte palmos que foi avaliada em dois mil e oitocentos réis e outra de doze palmos que foi avaliada em mil e quinhentos réis as quais alcatifas são de Castela as quais coisas lhe foram entregues por Duarte Fernandes reposteiro do dito senhor e por que é verdade que do dito Rui leite recebeu as coisas sobre ditas lhe mandou fosse feita neste almoxarifado por mim Antão Fernandes escrivão que os sobre ele dito Diogo Rodrigues carreguei em receita. Feita em Almeirim aos 25 dias de Novembro de 1514. Diogo Rodrigues. Antão Fernandes
Não tendo nós conhecimento da data de inauguração do Paço Real da Ribeira de Muge (se é que houve uma inauguração oficial), podemos fixar como o dia de hoje de há 500 anos atrás o dia da conclusão deste paço. Porque é neste dia que temos conhecimento que foram entregues umas alcatifas, a que se refere o documento transcrito acima, e é este o último registo que encontramos relativo à construção/ edificação do paço. Nesta altura, estando já a receber recheio, podemos inferir que já estariam as obras concluídas e o espaço pronto a habitar.
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segunda-feira, 24 de novembro de 2014
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