A Ribeira de Muge fica situada na orla de um dos maiores desertos humanos de Portugal, a floresta de Entre-Muge-e-Sorraia. Esta região pode exibir ainda hoje uma cultura com traços característicos muito próprios, mormente a rude cultura dos pastores, cabreiros e dos negros que aqui habitaram. São estas especificidades que a Academia persegue, "subindo ao povo", como nos diz o grande Pedro Homem de Melo, recolhe, estuda e divulga.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Cancioneiro da Ribeira de Muge

Entre o que anunciei e o que foi editado existe uma pequena diferença, fruto dos últimos retoques, na tentativa de melhoria, que sempre acontecem.
A todos os que me ajudaram a vencer esta nona etapa, mantendo-me um pesquisador e “escritor” independente e livre, o meu obrigado. Conto convosco para a próxima etapa que já aí vem.cancioneiro_capa_livro
Prefácio. 5
Cancioneiro religioso. 7
Natal dos Gagos. 7
Nome de Maria. 7
Entrai pastores entrai 8
Senhora do Carmo. 8
Senhora da Nazaré. 9
Magnifa de Nossa Senhora. 9
Santa Bárbara e S. Jerolmo. 10
Lá se vai o sol escondendo. 10
O lavrador d’ Aurora. 10
Quinta-feira de Endoenças. 11
Numa triste noite escura. 12
Pedindo p’ras almas. 13
Bendito e louvado seja. 13
Bendito e louvado. 13
Três Marias. 14
Da Sagrada Família. 14
Não cortes a oliveira. 14
A mais bela. 14
As doze excelências I 15
As doze excelências II 15
Oração de pedir esmola. 16
Cancioneiro Profano. 17
Mulatinha. 17
Mulatinha chiapá. 17
Canção das escravas. 18
A partida da Rainha. 19
A morte de D. Pedro V. 19
Albertina era a filha do rei 20
Ó Albertina, Albertina. 20
Ó Virgem da mãe candura. 20
Vira da Tira. 21
Vai de roda. 21
No dia em que m’eu casar 21
Ó Catarina, o que tem, tem, tem.. 22
Menina vai à fonte. 22
Ó Elvas, ó Elvas I 22
Ó Elvas, ó Elvas II 23
À entrada de Elvas [III] 23
A chita da ‘nha blusa. 24
Tenho uma saia nova. 24
Latruca, meu bem latruca. 25
O corridinho. 25
Dia da espiga. 26
Cantiga do gás. 26
Esta noite na avenida. 27
As cerejinhas. 27
Alícia dá cá um beijo. 27
A minha aldeia. 28
O baile da maldição. 28
Foi à beira do lagar 28
Verdegaio. 29
Amor se me escreveres. 29
Fandango da Ribeira. 29
Os carreirinhos da serra. 29
Meu bem bi à bá. 30
Se eu me chegar a casar 30
Tu é que és o meu rapaz. 31
Ó mirosca. 31
Sacode o saco Leonor 32
As mulheres do norte. 32
O gafanhoto. 32
O ladrão. 33
O nó da gravatinha I 33
O nó da gravatinha II 33
Ó pavão, ó real pavão. 34
A moda do rique truque. 34
Ó Delaide, ó Delaidinha I 34
Ó Delaide, ó Delaidinha II 35
A gaita do Zé. 35
Eu tenho um cãozinho. 35
Saias da Lamarosa. 35
Saias velhas da Parreira. 36
A moda do zuque-truque. 37
Bailarico da ribeira. 37
A marcha de Paços dos Negros. 37
Passarinho castanho. 38
Passo largo. 38
Ó verdegaio, verdegaio. 38
Funho lavar à ribeira. 39
Se eu fosse um rato. 39
As mulas. 39
O pipó. 39
Valverde limão. 40
O José larilolé. 40
Compadre José Parola. 40
Pedi-te um beijo ó menina. 41
Sou tua. 41
Ai que chita tão bonita. 42
Ainda ontem comi tremoços. 43
O tremoço rechonchudo. 43
Os piais da minha sogra. 44
Olha as sogras. 44
Ó Maria tu tens tu tens. 45
Amor boieiro. 45
Vira viradinho. 46
Minha querida Gabriela. 46
Já o circo vem aí 46
Ó cara linda, cara de jóia. 47
Baguinho, baguinho, baguinho. 47
Menina que sabe ler 48
A Quinta da Laranjinha. 48
Venho d’arraia da Espanha I 49
Venho d’arraia da Espanha II 49
O Aiveca. 49
A criada e o patrão. 50
Caramba Marianita. 52
Se o mar tivesse varandas. 53
A lua é branca. 53
Ó Manuel das Cancelas. 54
A moda da perna alçada. 54
Linda bassoirinha. 54
O vira de quatro. 54
As cachopas de Marianos. 55
Ai Zumba, ai zumba olaré I 55
Ai zumba, ai zumba, olaré II 56
Eu vou para a marinha. 56
Sant’Antóino entre as vinhas. 56
Passa vai passando. 57
Loureiro, verde loureiro. 57
Pica, pic’ó pau. 57
Cá na minha terra. 58
Tu dantes eras linda agora és feia. 58
Menina no laranjal 58
Menina que vai passando. 59
Ó jardineiro porque estás tão triste. 59
Erva-cidreira. 59
Três coisas pedi a Deus. 60
Ó bonequinha. 60
Ó bela vem à janela. 60
O Fanfarrão. 61
O papagaio tem penas. 61
Apanha da azeitona. 62
Vou calçar minhas tairocas. 62
Cigano lindo cigano. 62
O dedo sem unha. 63
A cigana e o campino. 63
Sou cigana não o nego. 63
Venho da ribeira nova. 64
Ó pó, ora limpó pó. 64
Toca o bombo. 64
Cantigas e vivas nos casamentos. 64
Cantigas do Baile. 65
Os Casares da Ribeira de Muge - Rituais de namoro. 67
Menina do laranjal 67
Escuta ó menina. 68
Olha o papagaio. 68
Entrei pela Espanha adentro. 68
Saringa-tinga-tinga. 69
Naquela janela. 69
A chita da ‘nha blusa. 69
Casará olé casará I 70
Casará olé casará II 70
Ora que te dou. 70
Rosa bela. 71
Eu vi, eu vi 72
Ela anda a namorar 72
O derriço. 72
Vira-cabra. 73
Os catres talim-talim.. 73
Toma lá carário. 73
Ó cu ricocu. 74
Quinta da laranjinha. 74
Cantigas das “Brincadeiras” – Ritual de integração. 75
A Condessa. 75
Rosa Verdeira. 75
Brinca-Tudo. 76
Ah ah minha machadinha. 76
Vou calçar minhas tairocas. 76
Dom Solidom.. 76
O relógio das cabaças. 77
Senhora dona Anica. 77
Caranguejo não é peixe. 77
Que linda rosa. 78
A Biloa. 78
A triste viuvinha. 78
Carrasquinha sacode a saia. 79
O burro da nora. 79
O paspalhão. 79
O ladrão do meio. 79
Arroz com leite. 80
O Babão. 80
Eu fui à Serra da Estrela. 80
Infanto-juvenis. 81
Ó Branquinha. 81
Cadeaço. 81
No alto daquela serra. 82
A pomba caiu no mar 82
Um abracinho. 82
O pedreiro cheira a cal 82
O ladrão do negro melro. 82
Nos ranchos. 83
Os rituais de trabalho. 84
Ó compadre abegão. 84
Ó mana vamos à monda. 85
Cantigas do Manuel e da Maria. 85
Cantigas da Mãe. 86
Cantigas do Amor 88
Cantigas dos olhos. 92
Cantigas do coração. 93
Cantigas da sogra. 96
Cantigas da oliveira. 97
Cantigas da rosa. 97
Cantigas do cravo. 99
Cantigas da Ribeira. 100
Olari-olari-olaré. 101
Cantigas dos Paços. 101
Cantigas do caminho. 102
Cantigas da mocidade. 103
Cantigas dos militares e do comboio. 115
Cantigas de adiafa. 116
Despiques entre mulheres. 117
O que fazes criancinha. 118
António Domingos. 119
Uma cagada. 119
Salgadas e queimosas. 122
Desafios entre homem e mulher 124
Cantigas da despega. 128
Numa descamisada em Vicentinhos. 128
Numa descamisada na eira Gagos. 129
Numa descamisada na Caneirinha. 130
Numa descamisada em Marianos. 131
Ouve lá ó Joaquim.. 131
Cancioneiro da taberna. 133
Já ‘tás c’os copos. 133
Tenho uma concertina. 133
O Zé Careca. 134
Ó cabalero. 134
Ai minha riquinha moca. 134
Da Grande-guerra. 134
Era o vinho. 135
Lá em cima. 135
A vida é um vale de enganos. 135
Catrapuz. 135
A cobra. 135
Ó Maria tu tens tu tens. 136
Ó meu mestre sapateiro. 136
Ó fim ó fá. 136
Lari-lo-lela. 136
Minha rica ti Maria. 137
Chucha na tola. 137
Ó Lucinda vem comigo. 137
Ó bela vem à janela. 137
Ó menina guarde o seu melro. 137
Fandango da taberna. 138
Maria lavradora. 138
Parti a tola à Maria. 138
Tiro-liro-tiro-lero. 138
Cantiga do Saias ou do Cambeiro. 139
Cá na nossa freguesia. 139
Abóbora, menina, abóbora. 139
Ó preto, ó preto. 139
Ó Maria Amélia. 139
Na taberna dos Gagos. 140
Desedelas na taberna. 140
Na taberna do Silvino. 142
Foi no do Zé da Machada. 142
A ronda das tabernas. 142
Na taberna do Florenço. 143
Mundos e fundos. 143
Fado das penas. 144
Áuga pisada a péis. 144

Agradecimentos. 145

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Cancioneiro da Ribeira de Muge

Na senda de fazer o registo de “todo?” (o mais possível) o património cultural da ribeira de Muge, desta vez numa homenagem às mulheres da minha terra, do património oral,  pensamos publicar antes do Natal o Cancioneiro da Ribeira de Muge.

Estando todos os cancioneiros muito interligados, pensamos ainda assim revelar neste cancioneiro algo da criatividade local: Algumas (4) canções de remotos “escravos” negros, os “casares” da ribeira de Muge, o cancioneiro das tabernas, as “salgadas e queimosas”, tal como as mulheres referem os despiques entre elas, e mesmo as largas dezenas de canções e modas que vindas de outras regiões, as mulheres (e homens) sempre acrescentavam algo de seu, da sua cultura rude e simples:

Aos interessados em adquirir este naco da nossa cultura, devem contactar o “autor”. CPM_EVANGELISTA@HOTMAIL.COM . Serão impressos tantos livros quantas as encomendas. Não vai estar à venda ao público. Custo 5 euros.

cancioneiro_capa_livro

Prefácio5

Cancioneiro religioso 7

Natal dos Gagos 7

Nome de Maria 7

Entrai pastores entrai 8

Senhora do Carmo-8

Senhora da Nazaré-9

Magnifa de Nossa Senhora-9

Santa Bárbara e S. Jerolmo-10

Lá se vai o sol escondendo-10

O lavrador d’ Aurora-10

Quinta-feira de Endoenças-11

Numa triste noite escura-12

Pedindo p’ras almas-13

Bendito e louvado seja-13

Bendito e louvado-13

As doze excelências-14

As doze excelências-14

Oração de pedir esmola-15

Cancioneiro Profano-17

Mulatinha-17

Mulatinha chiapá-17

Canção das escravas-18

A partida da Rainha-19

A morte de D. Pedro V-19

Albertina era a filha do rei-20

Ó Albertina, Albertina-20

Ó Virgem da mãe candura-20

Vira da Tira-21

Vai de roda-21

Ó Catarina, o que tem, tem, tem-21

Menina vai à fonte-22

O sítio dos caracóis-22

Ó Elvas, ó Elvas I-22

Ó Elvas, ó Elvas II-23

À entrada de Elvas [III]-23

A chita da ‘nha blusa-24

Tenho uma saia nova-25

Latruca, meu bem latruca-25

O corridinho-26

Cantiga do gás-26

Esta noite na avenida-27

As cerejinhas-27

Alícia dá cá um beijo-27

A minha aldeia-27

O baile da maldição-28

Verdegaio-28

Amor se me escreveres-28

Fandango-29

Os carreirinhos da serra-29

Meu bem bi à bá-29

Se eu me chegar a casar-30

Tu é que és o meu rapaz-30

Ó mirosca-31

Sacode o saco Leonor-31

As mulheres do norte-32

O gafanhoto-32

O ladrão-32

O nó da gravatinha I-32

O nó da gravatinha II-33

Ó Branquinha-33

Ó pavão, ó real pavão-34

A moda do rique truque-34

Ó Delaide, ó Delaidinha I-34

Ó Delaide, ó Delaidinha II-35

A gaita do Zé-35

Saias da Lamarosa-35

Saias velhas da Parreira-36

A moda do zuque-truque-36

Bailarico da ribeira-37

A marcha de Paços dos Negros-37

Passarinho castanho-38

Passo largo-38

Ó verdegaio, verdegaio-38

Funho lavar à ribeira-38

Se eu fosse um rato-39

As mulas-39

O pipó-39

Valverde limão-40

O José larilolé-40

Compadre José Parola-40

Pedi-te um beijo ó menina-40

Sou tua-41

Ai que chita tão bonita-42

Ainda ontem comi tremoços-43

O tremoço rechonchudo-43

Os piais da minha sogra-44

Olha as sogras-44

Ó Maria tu tens tu tens-45

Amor boieiro-45

Vira viradinho-46

Minha querida Gabriela-46

Já o circo vem aí-46

Ó cara linda, cara de jóia-46

Baguinho, baguinho, baguinho-47

Menina que sabe ler-47

A Quinta da Laranjinha-48

Venho d’arraia da Espanha-49

O Aiveca-49

A criada e o patrão-50

Caramba Marianita-52

Se o mar tivesse varandas-53

A lua é branca-53

Ó Manuel das Cancelas-54

A moda da perna alçada-54

Linda bassoirinha-54

O vira de quatro-54

As cachopas de Marianos-55

Ai Zumba, ai zumba olaré I-55

Ai zumba, ai zumba, olaré II-56

Eu vou para a marinha-56

Sant’Antóino entre as vinhas-56

Passa vai passando-57

Loureiro, verde loureiro-57

Pica, pic’ó pau-57

Cá na minha terra-58

Tu dantes eras linda agora és feia-58

Menina no laranjal-58

Menina que vai passando-59

Ó jardineiro porque está tão triste-59

Três coisas pedi a Deus-60

Ó bonequinha-60

Ó bela vem à janela-60

Erva-cidreira-61

No alto daquela serra-61

O pedreiro cheira a cal-61

Cigano lindo cigano-62

O dedo sem unha-62

A cigana e o campino-62

Sou cigana não o nego-62

Cantigas e vivas nos casamentos-63

Cantigas do Baile-64

O ladrão do negro melro-66

Os Casares da Ribeira de Muge-67

Menina do laranjal-67

Escuta ó menina-68

Olha o papagaio-68

Entrei pela Espanha adentro-68

Saringa-tinga-tinga-69

Naquela janela-69

A chita da ‘nha blusa-69

Casará olé casará I-70

Casará olé casará II-70

Ora que te dou-71

Rosa bela-72

Eu vi, eu vi-72

Ela anda a namorar-73

O derriço-73

Vira-cabra-73

Os catres talim-talim-74

Toma lá carário-74

Ó cu ricocu-74

Quinta da laranjinha-75

Toca o bombo-75

Cantigas das “Brincadeiras”-77

A Condessa-77

Rosa Verdeira-77

Brinca-Tudo-78

Ah ah minha machadinha-78

Vou calçar minhas tairocas-78

Erva cidreira-78

Dom Solidom-79

O relógio das cabaças-79

Senhora dona Anica-79

Caranguejo não é peixe-80

Que linda rosa-80

Pedi-te um beijo ó menina-80

A Biloa-80

A triste viuvinha-81

Carrasquinha sacode a saia-81

O ladrão do meio-81

Arroz com leite-82

Venho da ribeira nova-82

O Babão-82

Nos ranchos-83

Quem é que leva a gaita!-83

Ó mana vamos à monda-83

Cantigas do Manuel e da Maria-84

Cantigas da Mãe-84

Cantigas do Amor-87

Cantigas dos olhos-91

Cantigas do coração-92

Cantigas da sogra-95

Cantigas da Ribeira-96

Olari-olari-olaré-97

Cantigas da oliveira-97

Cantigas da rosa-98

Cantigas do cravo-99

Cantigas dos Paços-100

Cantigas dos astros e da natureza-101

Cantigas da mocidade-102

Cantigas dos militares e do comboio-114

Cantigas de adiafa-115

Despiques entre mulheres-116

O que fazes criancinha-118

António Domingos-118

Uma cagada-119

O compadre abegão-119

Salgadas e queimosas-122

Desafios entre homem e mulher-124

Cantigas da despega-129

Numa descamisada em Vicentinhos-129

Numa descamisada na eira Gagos-130

Numa descamisada na Caneirinha-131

Ouve lá ó Joaquim-132

Cancioneiro da taberna-133

Já ‘tás c’os copos-133

Tenho uma concertina-133

O Zé Careca-134

Ó cabalero-134

Ai minha riquinha moca-134

Da Grande-Guerra-135

Era o vinho-135

Lá em cima-135

A vida é um vale de enganos-135

Catrapuz-135

A cobra-135

Ó Maria tu tens tu tens-136

Ó meu mestre sapateiro-136

Ó fim ó fá-136

Lari-lo-lela-137

Minha rica ti Maria-137

Chucha na tola-137

Ó Lucinda vem comigo-137

Ó bela vem à janela-137

Ó menina guarde o seu melro-138

Os amigos da taberna-138

Fandango da taberna-138

Adivinhas-138

Maria lavradora-139

Parti a tola à Maria-139

Tiro-liro-tiro-lero-139

Cantiga do Saias ou do Cambeiro-139

Na nossa freguesia-140

Abóbora, menina, abóbora-140

Eu tenho um cãozinho-140

Ó preto, ó preto-140

Ó Maria Amélia-141

Conselhos-141

Na taberna do Silvino-141

No Zé da Machada-141

A ronda das tabernas-142

Áuga pisada a péis-142

Várias-142

Agradecimentos-145

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O Papa e o Paço da Ribeira de Muge

 

maqueta JPG

O frade de S. Francisco referido na carta, que já ali exercia, deverá ter exercido o seu mester no Paço da Ribeira de Muge até 1551, data em que foi nomeado António Valente, de Nossa Senhora da Serra. 

Digamos que para um barracão de caça, como defende o amesandado lóbi do restopórtico de Almeirim, o pedido ao Papa pelo rei D. João III de um capelão para a capelania do Paço da Ribeira de Muge, deve tratar-se decerto de caça da grossa.

«Carta de D. João III ao Doutor Brás Neto, embaixador

em Roma, a respeito de umas suplicações a fazer ao Papa, para um

frade de S. Francisco ser capelão nos seus pacos da Ribeira do Muge.

Setúbal, 1532. — Papel. 6 folhas. Bom estado. Cópia junta.

Doutor Bras Neto amiguo.

Eu ei rei vos envio muyto saudar.

Com esta carta vos envio duas sopricações de Diogo Pachequo frade

da Ordem de Sam Francisquo da Terceira Ordem do qual me quero serviir

na capelania da capela dos meus paços da Ribeira de Muja por ser dele

e de sua bondade bem enformado e por os vezinhos dali d'aredor estarem

dele e de seu serviço contentes e pelas ditas sopricações veres o que por

elas se soprica e requere por o que escuso de nesta mais vo lo declarar. E

soomente vos encomendo muyto que logo como esta vos for dada vos

trabalhes quanto posivel vos for por as ditas sopricações despachardes

conforme ao nelas conteudo no que muyto vos gradecerey poerdes toda

diligencia e asy de as letras diso me enviardes com os primeiros recados

que pera mym despachardes. E ey por bem que a expediçam diso façaes

a minha custa e creo que se fara niso pouqua despesa e vos asy trabalhay

porque com pouco gasto se faça. E se pela ventura comprir falardes ao

Santo Padre de minha parte na expediçam das ditas sopricações fazey o

naquele modo que virdes que pode mais aproveitar dizendo lhe que asy

pela boa enformaçam que tenho da bondade e suficiencia do dito Diogo

Pachequo como por me querer dele servir na capelania dos ditos meus

paços receberey em merce de Sua Santidade lhe querer comceder o que

por suas sopricações requere e se Tambem em outro cabo aproveitar o

falardes de minha parte a alguus cardeaes ou ofiçiaes asy o fazee e

muyto vos gradecerey de com a mais brevidade que vos for posivel me

enviardes os despachos.

Pero d'Alcaçova Carneiro a fez em Setuvel a ... O) dias de ... (2)

de 1532.

Rey»

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Pequenas histórias da História

As pequenas histórias da História também podem e devem ser contadas. É um dever do Historiador.

Como pesquisador e historiador local, espaçadamente, vou tentar manter aqui estas pequenas mas não menos interessantes e reveladoras histórias.

Eis uma pequena história:

Em finais de 2009, um grupo de cidadão e cidadãs de Paço dos Negros resolveu honrar a sua História e comemorar os 500 anos do seu Paço que aconteceria em Maio do ano de 2011.

Para tal, nos meses antecedentes prepararam, e nos seis meses anteriores à data exibiram, no Paço, um programa cultural, mensal, baseado na cultura e na História local. Pode dizer-se que o programa foi um sucesso.

Nada disto mereceria figurar nesta colecção de “pequenas histórias” se não fosse dar-se um caso que deve ser único em todo o país, e que revela bem o que se passa em Almeirim.

Convidadas as forças vivas do concelho, as cerca de 60 associações do concelho de Almeirim, para estarem presentes nas comemorações, no Paço, no dia 14 de Maio de 2011, onde foi publicado um livro sobre a História deste Paço, ou fazerem-se representar, nem uma compareceu, ou sequer respondeu. (honra ao presidente da junta de Fazendas e a um vereador da oposição. Peço desculpa se alguém esteve, e não tive conhecimento). Estiveram presentes várias personalidades da vida e da cultura nacional.

Ajuíze o meu leitor do grau de caciquismo reinante neste concelho.

Abaixo, vídeo de um excerto do programa:

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O PÔR-DO-SOL NA MINHA ALDEIA

Todos os anos, a 27/28 de Julho o sol vem beijar as ruas da minha aldeia. Um fenómeno interessante. São cinco ruas, todas com a mesma direcção, paralelas, em linha recta, com inclinação suave, algumas de cerca de 4,5 kms, da ribeira de Muge à Serra de Almeirim. Foi a povoação delimitada no ano de 1815, foram rasgadas as ruas cerca de 1900, bem mereciam que a Câmara de Almeirim olhasse para esta situação privilegiada, de modo a fazer delas futuras amplas avenidas e não meros carreiros de cabras, entregues ao belo-prazer de cada habitante que por vezes se mostra mais ganancioso e ignorante que o vizinho.

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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Poema ao paço

Com a devida vénia ao blogue, “em busca do património”, de Samuel Tomé.
Nos 96 anos do nascimento de Francisco Henriques

Em homenagem ao poeta de Almeirim, defensor da história da sua terra, ou não a deixasse escrita, sob forma de sonetos, no Cântico à Minha Terra!


O Paço dos Negros

Contemplo estas ruínas seculares,

Restos mortais de um Paço majestoso:

Muro ameado e brasão do Venturoso

Ladeado por esferas armilares.

 

Agora, estes históricos lugares,

Paraíso perdido – e tão saudoso! –

Evocam, no abandono lastimoso,

Coutada, moinhos, hortas e pomares.

 

A Ribeira de Muge já não canta

Sob a janela manuelina, à Infanta,

Nem a trompa anuncia as montarias.

 

Até que um novo almoxarife assome

E afaste o mau presságio do teu nome,

Paços dos Negros, negros são teus dias.

 

Francisco Henriques, Cântico à Minha Terra

segunda-feira, 10 de junho de 2013

À atenção da Câmara de Almeirim

 

Ao escutar hoje o discurso do senhor Presidente da República, na defesa do nosso património histórico-cultural, e pensar no que poderia ser feito para valorizar e rentabilizar este monumento, claro que senti vergonha. Vergonha pelo modo como um monumento único da história de Portugal, o Paço da Ribeira de Muge, construído para ser um espaço de lazer da Corte, no ano de 1511, o período de maior glória da História Nacional, tem sido tão maltratado pela Câmara de Almeirim.

Que pelo menos fique registada a indignação de um cidadão que conhece a história deste monumento.

 

Estado a que chegou o Paço em 2004.

vista actual do largo do paço 9-2004

 

Estaleiro de obras em cima do monumento histórico (2009).

estaleiro em cima do Paço

Vista actual do interior do pátio.paço para classificação 005

 

 

 

 

 

 

 

 

Maqueta do paço(interior).

maqueta 1

terça-feira, 28 de maio de 2013

Academia da Ribeira de Muge - Folclore genuíno

 

Paço dos Negros pode orgulha-se de ter guardado das suas raízes culturais, do século XVI?, o seu ex-libris, esta "Dança do Fidalgo", genuína, uma pérola que, segundo opiniões avalizadas, pode competir a nível mundial, com outras danças folclóricas e étnicas.

 

 

Jovens interpretando a Dança do Fidalgo           

Dança do Fidalgo  (Interpretação: Jerónimo Baptista)
(clique para ouvir)

domingo, 14 de abril de 2013

Contos do Rei Preto

Finalmente, está quase a chegar o livro que nos traz de volta o Negro fundador de Paço dos Negros.

 

Do livro de Horas de D. Manuel I.

Índice

Preâmbulo 7

O Rei Preto, D. Manuel e a cama dos gatos pretos 9

O Rei Preto e os gatos do Diabo 10

Gil Vicente e o Rei Preto 13

O Rei Preto e os negros bem martelados 16

O Rei Preto, o Real Bando e Alcácer-Quibir 18

D. Sebastião, o Rei Preto e a Corte dos bajuladores 20

O Rei Preto, a penitência e a Ponte do Bispo 21

O Rei Preto e os negros que queriam matar o moinho 22

O Rei Preto e os escravos que se julgavam mortos 23

A revolta do Rei Preto, ou o rei que ia nu 25

O Rei Preto e as argolas de atar as bestas dos fidalgos 30

O Rei Preto, as Justiças e a Fonte D’el-rei 32

O Rei Preto, o Negro boçal e a prenha 36

O Rei Preto e a branca 38

O Rei Preto, o Frade e o bacio da ‘Vó velha 41

O Rei Preto e o pretinho que gostava de molhar a sopa 44

O Rei Preto e o Capelão que media o tempo ao cesto 46

O Rei Preto, a Rainha e as botas novas 49

O Rei Preto, o Cigano e o Santo António 51

O Rei Preto e a pescaria 53

O Rei Preto, o Fidalgo arruinado e o beija-mão da rainha 54

O Rei Preto e o Moinho dos Frades 56

O Rei Preto e os carvoeiros 59

O Rei Preto, o Cura, o cuco e a gaga 61

O Rei Preto, a Rainha, e as galinhas alcoviteiras 63

O Rei Preto e o fidalgote malparido – ou a greve no Paço 65

Outros Contos do Paço 67

De como nasceu o Paço da Ribeira de Muge 69

Tomé, o conde e as condessinhas 70

A Preta Maria e o príncipe 71

Lenda do Negro Jack da Raposa 74

De como medrou a nobre fidalguia da Realenga Vila 78

Os Doze Passos das Negras 80

Lenda da Fonte dos Tanques 82

O segredo da Capela do Paço 84

O cabreiro, a rainha e o trem 85

O casamento da escrava Isabel da Ribeira 87

O ermitão do Alto Frade 90

As éguas do Muge e os Montes da Borra de Ferro 91

O segredo do Paço 94

Temos os fidalgos no Paço! 97

Memórias orais e Bibliografia 98

domingo, 24 de março de 2013

Contos do rei Preto e outros contos do Paço

Um excerto do Prefácio do livro, que tenta desvendar a figura do mítico Rei Preto de Paço dos Negros.

Paço dos Negros é terra antiga. Terra com memória: Que outro paço coetâneo, Lisboa, Sintra, Évora, Almeirim, se não o Paço da Ribeira de Muge, de aspecto chão e vivências simples, daria primado aos negros, de modo a que estes tivessem trato e honra, e ousadia, de figurar em retrato de D. Manuel I, em refeição frugal, em ambiente rústico? (cf. Página 10); Que outro paço recebeu nome dos próprios negros que o ergueram e habitaram?; Que outro paço guardou em memória, durante cinco séculos, o hábito de D. Manuel de andar pelas cozinhas, o gosto que tinha pelos gatos?; Que outro paço guardou em memória um negro supersticioso que batia nos gatos e clamava por Jesus Cristo?; Que outro paço guardou em memória um negro autoritário, mau, refilão, sábio, anedótico, supersticioso, provocador, que, revelando a sua proveniência geo-histórica, o Benim, tanto marcou a terra, que até hoje tem dado titulatura aos rapazes da terra?; Que outro paço guardou em memória a menina branca que com um preto tem um diálogo, que em tudo coincide que as falas do negro em Gil Vicente? (cf. Página 35); Que outro paço tem um negro ao qual Gil Vicente dá o nome de Furunando, se não o histórico e documentado Fernando Frade, homem preto da capela de S. João Baptista do Paço da Ribeira de Muge?; Que outro paço guardou em memória um negro ao qual Gil Vicente dá voz como tendo vindo de livre vontade conhecer Portugal, se não o comprovado Fernão Frade, um baptizado do Benim, filho de rei, que andava na capela que, por ser livre, tivera a honra de trazer a rainha D. Catarina, mi bem lá de Tordesilha, e ao qual o rei recomenda que não esqueçam de pagar o soldo?; Que outro paço tem um negro ao qual Gil Vicente pede para lhe rezar o Padre-Nosso, a Salve-Rainha, se não um negro cujo metier é andar na capela e que recita: …Papa na Roma cansera…?;Que outro paço tem um negro do qual Gil Vicente extrai um Padre-nosso, uma Salve-rainha em latim, cujo exótico vocabulário nos leva a uma viagem pelo ambiente rústico do paço da Ribeira de Muge? (cf. Página 15); Que outro paço mantém vivo o espírito crítico e mordaz de Gil Vicente; Que outro paço teve um “Rei”, preto, que marcou para sempre a idiossincrasia do povo, ao ponto de quando alguém queria meter medo a uma criança, dizia: “está lá o rei preto e agarra-te”, quando pretendia acabar um conto, declarava: “…não me lembro é o outro”; ao que o interlocutor respondia: “É o Rei Preto…”. (cf. Página 37).

capa rei preto final

quarta-feira, 13 de março de 2013

Folclore e Folclorice

Com a devida vénia a Mafalda Lopes da Costa, “Lugares Comuns” da Antena 1, do dia 11 De Março:

(clique para ouvir)

http://rsspod.rtp.pt/podcasts/at1/1303/2378574_130855-1303092358.mp3

Nesta rubrica vemos quão deformado está o conceito de Folclore. Palavra que nasceu para dar toda a dignidade à cultura popular, está hoje em Portugal, transformada em algo “excêntrico, berrante, para dar nas vistas”, algo sem valor, digo eu.

Também esta semana, na rádio, um estudioso da cultura do povo, referia-se à folclorice dos nossos ranchos, como “a tragédia que se abateu sobre a cultura popular”. E diz bem, uma verdadeira tragédia, que tanto tem prejudicado a nossa genuína cultura popular. Referia-se o estudioso, à estridência musical, e à deformação dos colegiais trajes e até das danças rurais “circenses”, com culottes ou sem culottes, inventados pelo salazarismo. Não há pachorra.

Anos 70.

anos 70 recitas d. alda

domingo, 10 de março de 2013

Fernando Frade, o rei Preto?

Será que o Rei Preto é apenas uma Lenda de Paço dos Negros da ribeira de Muge?

CC, 2, mac 163, fol.23

Pedro Matela cavaleiro da Casa d’el-rei nosso senhor e seu contador na comarca dos escravos desta mui nobre e sempre leal vila de Santarém e da vila de Abrantes, corregedor perpétuo da vila de Almeirim, vos mando a vós Simão Lopes, recebedor das sisas da távola de Marvila desta dita vila de Santarém, que compres cinco alqueires de azeite e os entregares a Fernando Frade, homem preto da Ribeira de Muge, para andarem na capela dos ditos Paços da dita Ribeira, que por ordenança o dito senhor manda que lhe sejam entregues...

Assinatura de Fernão Frade - o Rei Preto

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Onde está o Paço Real da Ribeira de Muge?–Paço dos Negros

Numa altura em que se tenta reduzir o Paço Real da Ribeira de Muge ao seu Pórtico, várias são as provas da sua existência, dimensão e arquitectura.

Todos os dias as provas da sua existência e os pilares do seu estudo e possível reconstrução são vandalizados e destruídos. Com incrível indiferença dos habitantes locais e conivência das entidades oficiais!

Além de considerar esta postura de uma pobreza sócio-cultural inadmissível nos dias de hoje,  começo a desacreditar na necessária suscitação do necessário interesse, principalmente por parte dos jovens, no seu reconhecimento e valorização.

Que se vão publicando as fotos e enaltecendo o trabalho do Dr. Manuel Evangelista.


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Portal. Um dos muitos existentes dentro do Pátio, cuja disposição localizada, assimetria e volumetria, indiciam ser de construção preexistente à edificação do Paço.

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Lajes em tijoleira. Contíguo ao Pátio do Paço Real.

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Pórtico do Paço Real da Ribeira de Muge. Construído nos anos de 1511-14: T. Tombo, CC, P1, maç 10, fol. 26; CC, P2, maç 27, fol.125.

Em destaque as armas reais, de coroa aberta, ladeadas pela esfera armilar do rei fundador, D. Manuel I, o Venturoso, e seis dos seus vinte merlões originais.

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Capela do Paço. Capela quinhentista, esteve aberta ao culto ao serviço das populações, durante cerca de quatro séculos. De entre muitas outras referências:

Em 1658 o Prior e Religiosos do Convento de NªSª da Serra recebem por alvará, Registo Geral de Mercês, Vários Reis, liv. 1, fl. 192v., 25$000 réis por ano para comprar um macho, para nele irem os religiosos do Mosteiro à Capela de Paços de Muja dizer as missas Domingos e dias Santos.

Quarenta anos depois, “Ordenado da Capela dos Passos”, de 1689 a 1699, que ao mesmo mosteiro Sua Majestade nos manda dar para o macho em que eimos aos Passos, dois moios de sevada todos os anos, nas Jugadas de Santarém.

As receitas provenientes das mesmas. No mesmo período, 1689 a 1699, um documento do Convento de NªSª da Serra declara que “No almoxarifado de Santarém, temos seis mil réis pelas missas da Capela dos Passos”.

Mesmo após a extinção do almoxarifado, e a propriedade ter sido doada, em 1790, a D. António Luís de Meneses, Marquês de Tancos e Conde da Atalaia, vemos em documentos do Mosteiro de Nossa Senhora da Serra:

Hum brinde para o Almoxarife de Almeirim passar as certidões da Capela dos Paços, $440 réis. Em Março de 1826.

Despesa de uma mulher para varrer a Capela dos Passos, $480 réis, em Junho de 1828.

Despesa para o novo selo de testação, que pagou o almoxarife da Capela dos Paços, $060 réis, em Maio de 1828.

Serviu de celeiro por todo o século XX, período durante o qual esteve a porta entaipada, tendo sido aberta uma outra nas traseiras, onde acessa ao moinho.

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Trecho do Muro da Cerca do Pomar Real, lado Norte, nas traseiras do complexo.

Foi o Pomar desde sempre parte integrante do complexo do Paço da ribeira de Muge.

Em todos os alvarás de nomeação dos almoxarifes do Paço da Ribeira de Muge (14), com variações no ordenado anual, duas coisas mantêm em comum, ao longo de quase três séculos: dois moios de cevada, para um cavalo que hão-de ter para guardar a Coutada, e a verba para o ordenado de dois homens que hão-de ter continuadamente para cuidar do pomar.

Vemos em Ch. D. João IV, liv. 17, fol. 38, aquando da nomeação do almoxarife João Rodel Figueira, “haverá 24 mil réis para hum (sic) homem que há-de sempre andar no Pomar dos ditos paços…”

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Antigo aqueduto sobre uma vala, de acesso às piscinas, moinho actual. (Segundo testemunhos, este moinho foi construído no início do século XX, sobre as ruínas de antigas piscinas.)

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Trecho do Muro da Cerca do Pomar Real, lado Oeste. Encontra-se soterrado sob as casas e barracas.

Vemos em Ch. D. Pedro II, liv. 9, fol. 258, aquando da nomeação do almoxarife Paulo Soares da Mota (I) “… e 24 mil réis para dois homens que hão-de andar contínuos trabalhando nos pomares dos ditos passos…”

Dentro da Cerca foram encontrados, nos anos 50 do século XX, várias moedas e cerâmicas romanas, bem com de outras cronologias.

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Moinho dos Frades (interior). Construído no início do século XX, cujo nome “Moinho dos Frades” herdou de um outro, assim conhecido pelo facto de os frades ali virem rezar missa.

(Esse outro, que existia cerca de 100 metros (cem) mais abaixo, está documentado como sendo de Francisco Palha, contador-mor de Santarém, que “abriu mão” das suas três escrituras de três assentos de moinhos e terrenos, em 1511, para que o rei pudesse ali construir o Paço, CC, P1, maç 10, nº 26.

Foi em 1546 doado ao almoxarife Estêvão Peixoto, Ch. D. Seb. e D. Henrique, liv. 24, fol. 191; Em 1719 foi comprado por António Roiz, morador nos Gagos, cujas confrontações não deixam margem para dúvidas: Lado Nascente, com a Madre de Água; lado Norte, com o Muro do Orta dos Passos de Sua Majestade que Deus guarde; do Poente, com a estrada que vai para a vila de Mugem; do lado Sul, com o Porto das Carretas e com terras do Moinho do Pinheiro…, ch. D. João V, liv. 63.

Trabalhou ainda no primeiro terço do século XX. Ainda há poucos anos podiam ver-se algumas paredes.)

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Trecho de Tanque Quinhentista. Situado no vértice do Muro da Cerca do Pomar Real, lados Oeste/Sul. Dois outros tanques do sistema de rega do Pomar existiam, junto ao muro, no lado Oeste.

Em Frazão de Vasconcelos, 1926, vemos: Trechos de um pequeno aqueduto sobre arcaria mostram a antiga distribuição das águas para as hortas e pomar, que era rico de excelentes frutos.

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Trecho do Muro do Pátio do Paço Real, lado Sul. Confina com o lado Norte do Pomar Real.

Vemos em Ch. D. João V, liv. 41, fol. 308, aquando da nomeação do almoxarife João de Seixas Henriques, “ …e 24 mil réis de dois homens que hão-de andar contínuos trabalhando no pomar dos ditos passos…”

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Trecho do Muro da Cerca do Pomar Real, lado Sul, junto à estrada do Arneiro da Volta.

Vemos em Ch. D. João IV, liv. 28, fol. 103, aquando da nomeação do almoxarife Francisco de Almeida “…e os 24 mil réis em dinheiro para os homens que hão-de servir de continuo no benefício do pomar…”

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Paredão. Ruína dentro do terreno (horta) de Manuel Maria Cipriano. Tem mais de 20 metros de comprimento, sendo perpendicular com a da foto nº 13.

Situa-se junto ao Muro da Cerca do Pomar Real, lado Nascente.

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Ruína de Ferraria? Situa-se junto à Cerca do Pomar Real, lado Nascente, do lado exterior, dentro do terreno (horta) de Manuel Maria Cipriano. Avança para leste, por dentro do aluvião (terra de arroz).

Vemos em Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal, Tomo XXVIII: 251, publicação de 1947, que se refere a deux monticules constitués par des scories de fondition, probablement contemporains du chateau.

Escórias estas, que existiram junto a este local, até 1953.

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Antigo aqueduto, junto ao Paço, sobre uma vala. Dá acesso ao actual moinho, terras de cultura de arroz e à própria ribeira de Muge.

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Panorâmica do Muro da Cerca do Pomar Real, lado Sul, paralelo à estrada do Arneiro da Volta.

Vemos em Ch. D. José I, liv. 23, fol. 187, aquando da nomeação do almoxarife de Paulo Soares da Mota (2) “…haverá 40 mil réis em dinheiro, com a obrigação de pagar à sua custa a dois hortelões (24 mil), que são necessários para a horta, que trará sempre cultivada, com as suas ruas limpas…”

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Paredão. Continuação para Norte, no sentido do Paço, do Paredão referido em 12. Situa-se junto ao Muro da Cerca do Pomar Real, lado Nascente.

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Pórtico de acesso aos Corredores. Consistiam estes “corredores” em um conjunto de arcadas, forradas a azulejos, com um conjunto de bancos também em azulejos, que ia desde o Paço, pelo lado Nascente da Cerca do Pomar Real, até próximo do moinho referenciado em 8.

Eram “os Corredores”, lugar de recreio e folguedos.

(Deste moinho, saiu para se casar na Capela do Paço, no dia 29 de Janeiro de 1729, para o que teve uma autorização especial do arcebispado, e por estes belíssimos “Corredores”passou, Josefa Maria, a filha do moleiro. Nesta altura, os actos oficiais, casamentos, baptizados e funerais, eram já efectuados na igreja paroquial da recém criada freguesia de Raposa.)

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Ruína de Banco de azulejos hispano-árabe. Um dos muitos que se dispunham, alinhados, por toda a ala Nascente da Cerca do Pomar Real, chamada “Os Corredores”. Podem ainda ver-se, in loco, restos de alguns destes antigos bancos de azulejos.

Frazão de Vasconcelos op. cit.: Não vimos lá pedras de lavores artísticos e os trabalhos de alvenaria nada indicam de notável, alterado como está, o edifício por modernas reconstruções. Os azulejos quinhentistas que cobriam as paredes foram arrancados e dos milheiros deles que na obra se empregaram de 1512 a 1514 poucos existem já. Um banco de alvenaria conserva ainda o seu primitivo aspecto, forrado de azulejos policromos hispano-árabes. Inteiros, raros haverá mais. Alguns trouxemos para o Museu do Carmo, por oferta do actual proprietário do Paço, sr. Manuel Francisco Fidalgo.

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Paço dos Negros da Ribeira de Muge, Romano?

A 1 km do Paço. Ponte Romana? www.ipa.min-cultura.pt/: É uma estrutura que corresponderá ao alicerce de uma ponte localizada sobre a Ribeira de Muge, e que segundo a bibliografia especializada se localiza no itinerário da via romana Scalabis/Évora, sendo pois provável que esta estrutura esteja relacionada com a existência de uma ponte de cronologia romana. Situa-se na ribeira de Muge, cerca de 1 km a sul do Paço.

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Nas Ferrarias, a 5 km a sul do Paço da Ribeira de Muge, à beira da estrada e a cerca e 100 m da ribeira de Muge, além de Estação ao Ar Livre, existe um Cabeço de Ferro, cuja estação denominada Monte do Ferro, foi identificada e classificada quando se abria a estrada, em 1953.

Recolhidos materiais de vários períodos, nomeadamente Mesolítico, Idade do Ferro, Romano e Medieval. www.ipa.min-cultura.pt/.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Drepanociptose – (Ciência pouco científica)

Erros como os que vamos verificar, porque sistemáticos, têm vindo a contribuir para a ignorância sobre o Paço Real da Ribeira de Muge. E a ignorância é a mãe de todas as destruições deste e doutros paços, na qual os políticos, e outros, desde sempre se têm apoiado.

Encontrámos uma uma brochura elaborada por equipa do Hospital de Santarém, sem data, como conclusão de um estudo sobre a drepanociptose, o qual contém um rol de incorrecções relativamente ao o Paço dos Negros da Ribeira de Muge. Porque o documento parece empenhado em afirmar tudo quanto é contrário à realidade histórica, passemos a analisar o que o mesmo diz. Logo a abrir, em Notícia Histórica,

citamos a página 7:

«A presença de raça negra nos concelhos de Almeirim e Coruche não pode fixar-se antes do século XIX, ao contrário do que ainda defende uma tradição sem fundamento.

Nos períodos em que a Corte viveu em Almeirim, correspondendo aos anos 1500 a 1578, admite-se que alguns escravos a tivessem seguido para o desporto de caça que se praticava na região, mas os casos a apontar são esporádicos.

Por tal motivo, não se confirma a tradição de que houve no sítio de Paço dos Negros, uma fixação africana de onde derivou o topónimo de Paço dos Negros. Esse local da freguesia da Raposa e concelho de Almeirim nunca é citado nos registos paroquiais, nem em relatos de viagens do tempo, como sendo o de negros ali residentes.

Existe ali um palácio sem dúvida senhorial, pelo brasão do século XVI que encima a portaria e que presumimos ter sido a residência de caça do fidalgo Fernão Soares, pagem do livro de D. João III, falecido em 1544 e que jaz no vizinho convento de Nossa Senhora da Serra.

Como Paço dos Negros, essa moradia hoje desprovida do traço original, só no século XIX passou a ser conhecida.

No século XIX, sim, viveram ali grupos de africanos que os governos da Regeneração fizeram vir para a metrópole afim de os adaptar a vários tipos de vida agrícola.»

Na página 12: «Em 1890 chegaram centenas de pretos de Angola a Lisboa, destinados a trabalhos agrícolas. Foram distribuídos por várias regiões entre elas a de Santarém…muitos deles foram levados certamente para Ameirm e Coruche – onde já havia outros desde 1850-para a cultura do arroz. Foram eles os ascendentes de muitos habitantes que hoje vivem nas Fazendas de Almeirim, Raposa, Lamarosa, e localidades próximas. Admitido gerações de 20 a 25 anos, temos a concluir que essas populações se radicam no Ribatejo há 130-110 anos, o que corresponde a 4 ou 5 gerações.»

Na página 23: «Embora Paço dos Negros – nome de povoação – estivesse na origem da escolha da área a estudar e dados históricos nos pudessem confirmar a existência de negros nesta mesma região, foi-nos negado o conhecimento de antecedentes de raça negra em todos as crianças com traço drepanocitário.»

Com todo o imenso respeito que possamos ter pelos nomes que constam da Ficha Técnica, não podemos deixar de repor a verdade histórica neste caso, ao qual, se nos aspectos técnicos e da temática da “doença” em estudo não temos nada a dizer, embora pensemos que não será a mesma coisa terem as populações estudadas 500 anos de contacto com gentes africanas, e 100 anos, como são as premissas em que se baseia o referido estudo e nos querem fazer crer:

1 – A presença de populações africanas não é uma tradição sem fundamento. Temos acesso a largas dezenas de documentos que nos dizem quando vieram (logo a partir de 1511), quem os pediu, quem os enviou, quantos eram, a quem pertenciam, o que recebiam para seu mantimento, etc.

2 - Este Paço é mencionado em larguíssimas dezenas de documentos das diversas chancelarias reais, sempre referido como “os meus Paços da Ribeira de Muge”, a partir de 1685 “os meus Paços dos Negros da Ribeira de Muge”. É o caso da nomeação real dos 14 almoxarifes do Paço.

O próprio documento, de 1511, 22 de Abril, em que o contador mor de Santarém dá conta ao rei D. Manuel do estado dos terrenos, seus donos e escrituras, e do que é necessário para o “aviamento das obras”. nesta, pede logo ao rei que lhe mande uma dúzia de escravos. Escravos que recebeu. Em 1529 eram já 30.

3 – Não se trata de uma mera casa senhorial. D. Manuel I, D. Sebastião, D. Catarina, aqui gostavam de se recrear. O caso do pagem Fernão Soares, com moradia neste paço, esse sim, é pura especulação, pois não nos aparece referenciado em nenhum documento referente a este paço.

4 - A cartografia, que já no século XVII referencia o paço como o “Paço da Serra”, “Palácios”, e o “Vale de Negros” nesta região.

5 - O facto de não aparecer mencionado nos registos Paroquiais, dever-se-á a erros de compreensão do próprio questionário, pelo pároco de Raposa, como se verifica pela forma desordenada, repetitiva, incompleta e ilógica da ordenação das respostas, que tem como consequência ser considerado, em 1758, pelo visitador do patriarcado: «João Rodrigues Delgado, não é mal procedido, pouco letrado, e não é muito vigilante em ser perfeito pároco…», e os negros já estarem assimilados, e ou dispersos pelos casais em redor, como o prova o funeral de um escravo, Pedro Tinoco, na igreja de Raposa, em 1719, que morava no moinho da Várzea Redonda.

6 - A afirmação de que o paço só passou a ser conhecido a partir do século XIX, trata-se de uma outra ideia preconcebida, pois foi precisamente a partir do ano de 1834, data da extinção dos conventos, com o fim da missão dos frades dominicanos de Nossa Senhora da Serra de ao Paço dos Negros virem dizer missa, de que temos registos até esta data, até ao limiar de 1900, com a venda do paço, estando o Paço na posse da Casa de Atalaia/Tancos, e após esta venda, cerca de 1880-1919, e sua ruína, que a história deste Paço e lugar, é mais apagada e nebulosa.

A concluir, devo dizer que tenho interrogado pessoas que nasceram no início do século XX, mesmo finais do século XIX, (minha mãe nasceu em 1913, meu avô nasceu em 1864, convivi com ele 12 anos), pessoas que há 20 anos interroguei, e na altura tinham 100 anos (por esse motivo as interroguei), e ninguém tem memória da existência de pessoas negras, mulatas ou pardas, na região. O que não aconteceria se porventura tivessem vindo em 1890.

Sinteticamente embora, espero que tenha ficado claro este erro. Das premissas e das conclusões do documento não nos pronunciamos. Só esperamos que a discrepância temporal, não obste a considerar válido o resultado dos estudos. Um problema deles técnicos de saúde.