A Ribeira de Muge fica situada na orla de um dos maiores desertos humanos de Portugal, a floresta de Entre-Muge-e-Sorraia. Esta região pode exibir ainda hoje uma cultura com traços característicos muito próprios, mormente a rude cultura dos pastores, cabreiros e dos negros que aqui habitaram. São estas especificidades que a Academia persegue, "subindo ao povo", como nos diz o grande Pedro Homem de Melo, recolhe, estuda e divulga.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O Aforamento de Paço dos Negros e o que dele está a ser feito

Trecho de Escritura de Aforamento de Paço dos Negros, acontecido nos anos de 1903 e 1904.
Aforamento que deu uma particularidade e possibilidade rara a Paço dos Negros, que os actuais residentes, e poderes políticos ainda não compreenderam o alcance futuro: com a demarcação de ruas paralelas, grosso modo da ribeira à serra e todos de 300 em 300 metros, a possibilidade de estas se transformarem em amplas avenidas, bem como a construção de algumas centenas de ruas, igualmente bem delineadas, com a demarcação progressiva de quarteirões, devido à construção, derivado do aumento populacional. Hoje está-se a desperdiçar este património. Um dia vai ser tarde.

João de Oliveira Caniço, um dos pioneiros desse aforamento, nascido em 1864 e falecido em 1963.

RETIRADO




quinta-feira, 18 de outubro de 2012

As caralhotas de Paço dos Negros

Segundo confirmação junto das mulheres mais velhas, as caralhotas nasceram de as crianças pedirem às mães um bolo, e estas raparem, aproveitando os restos de massa do fundo e bordos do alguidar. Massa que enrolavam, esfregando com as mãos. Porque estes restos de massa eram mais rijos, faziam uma espécie de rolo sobrecomprido, com que as crianças se deliciavam. Este formato sobrecomprido, que modernamente se designa de baguete, nestas pessoas simples e rudes, é que lhe deu o nome de “caralhota”.

Pelo dito, pensa o autor que a caralhota nunca poderá ser um pão redondo, tipo merendeira. 

Com o tempo, e maior desafogo económico, passou a usar-se a massa normal do alguidar.

Quem escreve estas linhas, ele próprio nos anos 50, pedia a sua tia Joaquina que lhe fizesse uma caralhota, por vezes até ajudava a rapar a massa do alguidar, pois a mãe apenas cozia pão de milho.

Fornada de pão, acabado de deitar, com algumas caralhotas.

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Cesto com caralhotas.

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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

ALMEIRIM PORQUE NÃO HÁ UM PROJECTO REABILITAÇÃO DA RIBEIRA DE MUGE?

Com a devida vénia, retirado do blog “Nós somos capazes”

Escusado será repetir que foi o próprio poder político vigente em Almeirim, inclusive os autarcas das freguesias que têm a responsabilidade da preservação dos recursos dos seus territórios, que votando como votaram originaram esta situação.

ALMEIRIM PORQUE NÃO HÁ UM PROJECTO  REABILITAÇÃO DA RIBEIRA DE MUGE?

A Ribeira de Muge, atravessa todo o Concelho de Almeirim, mas nasce no concelho de Abrantes, atravessa a Chamusca, Almeirim e vai desaguar no Tejo no concelho de Salvaterra de Magos (junto a Muge), outrora constituiu uma via fluvial de enorme importância para toda esta vasta área (pesca, água potável, e rega de várias culturas), hoje o seu “abandono é notório, a mesma encontra-se num estado de degradação ambiental e necessitar de uma intervenção urgente de reabilitação ambiental, nomeadamente a erradicação de vegetação invasora com aplicação de herbicidas, limpeza do leito com remoção de árvores caídas, desflorestação, poda selectiva, remoção de resíduos, desobstrução e desassoreamento, bem como a consolidação das margens em toda a sua extensão.

Não deixa de ser muito “estranho”, ou talvez não tanto, como é possível que as Câmaras, em especial a de Almeirim, não desenvolva os maiores esforços, tendo em vista a realização de obras de reabilitação deste importante recurso fluvial, através de um projecto de empreitada que deveria incidir, essencialmente, na limpeza e desobstrução das linhas de água, transversal a todos os concelhos, consideradas como sendo "zonas de risco" num cenário de inundação em período de chuvas, com vista a acautelar e prevenir eventuais inundações, a aplicação de herbicidas e erradicação de vegetação invasora, desobstrução e desassoreamento de  árvores caídas da  florestação e resíduos. Uma única razão a “desertificação de ideias, numa revelação de incompetência, falta de capacidade, falta de ideias e de projectos para o desenvolvimento em especial do Município de Almeirim e falta de sentido da sua missão de serviço público por parte da “gestão politica” da maioria que “desgoverna” esta Câmara Municipal?

Não se entende porque não foi até hoje realizado um projecto intermunicipal, com apoio da  Administração da Região Hidrográfica, das Câmaras Municipais abrangidas e  da Agência Portuguesa do Ambiente, entidades a quem deverá ser apresentado este projecto de recuperação ambiental de modo a colher também os respectivos apoios comunitários e não ser suportado pelos respectivos municípios?

sábado, 13 de outubro de 2012

Romanceiro da Ribeira de Muge

  Na presente versão do medievo romance “Conde da Alemanha”, recolhida na Ribeira de Muge, de que temos conhecimento como recolhido noutras regiões com esta designação e, entre outros, o nome de “Conde Alarcos”, “Conde Alberto”, “Silvana, etc., o romance trata de princesa que vendo-se a ficar para sempre solteira, pede ao rei seu pai que mande matar a mulher do conde, para desposar este. De referenciar nesta lição, o facto da assonância em í-a se manter do princípio ao fim, com excepção dos versos 23 e 24, cujo dístico monorrimo tem assonância em a-o. Discutem os romanistas a origem deste romance: castelhana ou portuguesa? Esta versão da ribeira de Muge tem uma feliz particularidade, a de situar geograficamente o romance?: Tocam-se os sinos na Alhandra; referir-se-à a informante da nossa lição da Ribeira de Muge, à Alhambra, em Granada? Clique para ouvir: Conde da Alemanha. https://dl.dropbox.com/u/4453889/4%20Conde%20da%20Alemanha.mp3 Começa com um excerto dos Açores, outro da Beira Alta, de José Alberto Sardinha e termina com a versão da Ribeira de Muge.






terça-feira, 9 de outubro de 2012

O Romanceiro Medieval da Ribeira de Muge


Hoje dispus-me a voltar a ouvir o melhor da nossa música étnica:

 Michel de Giacometti, Trás-os-Montes.
INTEMPORAL.

Ora, neste romanceiro, o tema D. Fernando é o mesmo romance medieval que recolhemos na Ribeira de Muge e que tem o nome de O Soldadinho. Comparemos ambos os temas.

Clique para ouvir: https://dl.dropbox.com/u/4453889/O%20Soldadinho%202.mp3

Começa com um excerto da versão de trasmontana, continua com a lição recolhida na Ribeira de Muge, e termina com um excerto da mesma, numa recreação da Academia Itinerarium XIV.



domingo, 7 de outubro de 2012

A sedução na cultura popular

Hoje vou apresentar neste espaço a prova de que em matéria de cultura se pode subir ao povo, e com o povo, como nos diz Pedro Homem de Melo.

Em vez de nos retermos em folclorices que denigrem a nossa cultura popular, que nos são apresentadas nos espectáculos vazios do “agora seguidamente…”, sem dignidade, nestas aldeias entregues a autênticos carroceiros da cultura, quase sempre falsificadas, de modo a servirem o poder político, que deles se serve passando o cheque senvergonhista, em cima do palanque.

Nesta metáfora do povo simples, recolhida em Paço dos Negros, está presente toda a riqueza e simbolismo da sedução HOMEM/MULHER: O tremoço rechonchudo, o rapaz homem feito que já bebe da murraça, garboso, responsável; a pevide na simbologia feminina, a conquista da mulher, frágil, a pevide brejeirinha, o tremoço pequenino antes de cozido, e que é escorregadio.

Clique para ouvir:

O tremoço rechonchudo

https://dl.dropbox.com/u/4453889/tremo%C3%A7o%20rechonchudo.mp3

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Os moinhos da Ribeira de Muge

Em boa hora começam a surgir artigos científicos sobre o Paço e ribeira de Muge. 

Do nosso conterrâneo Samuel Tomé, sobre o Moinho do Fidalgo, publicado na revista Molinologia Portuguesa, nr. 4, editada em julho de 2012:

Foto inserida no artigo

Pequeno excerto do artigo

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Do Romanceiro Nacional

 

Nesta recolha da Academia Itinerarium XIV- Ribeira de Muge, podemos ver a alegria que o homem ribatejano põe nas suas recriações.

A Pastorinha, numa bonita e plangente versão das nossas Beiras Trasmontanas, de José Alberto Sardinha, comparando com a vivacidade das gentes do Vale da Ribeira de Muge, onde foi recolhida junto de Jesuína Vitória, num trabalho da Academia.

clique para ouvir:

Versão beirã, e da ribeira de Muge. Solistas Gustavo Pacheco Pimentel e Maria de Jesus.

https://dl.dropbox.com/u/4453889/Pastorinha.mp3

domingo, 30 de setembro de 2012

FEZ-SE JUSTIÇA

tribunal caso bárbara dSeguindo o conselho de um sábio AMIGO DO CORAÇÃO, quero dar por encerrado este capítulo para onde me empurraram por, como historiador da Ribeira de Muge, ter de cumprir o meu dever. Peço desculpa a todos os meus amigos, mas aos interessados neste caso gostava de fazer um pequeno resumo daquilo que foi uma persecução que vem desde 31 de Janeiro de 2006. Por defender a História e a cultura da minha terra, FUI CALUNIADO, por 4 vezes respondi em tribunal; apenas a última chegou à fase de julgamento: Onde senti um orgulho do tamanho da minha terra por estar ali carregando toda a sua história e cultura. Em nenhuma delas procurei advogado, o tribunal é que nomeava, em nenhuma delas paguei um cêntimo. Fez-se justiça. Nunca me queixei, nem à família que saiu mais unida, nem divulguei a ninguém o meu sofrimento. Antes foi motivo de me aplicar com mais afinco, ao estudo da cultura da minha terra, às pesquisas, mormente na Torre do Tombo, onde passei cinco anos, com visitas quase semanais. Hoje agradeço a todos o bem que este mal me fez. Estive cinco anos sem publicar. Sem ver coragem para me deslocar para pesquisar em localidades onde os presidentes de Junta votaram contra a preservação da Ribeira de Muge, na sua própria Freguesia, e me processaram. Vou agora recuperar o tempo perdido.
Quanto ao jornal que trouxe o caso a público na véspera do julgamento, que não houve, nem sequer me irei dar ao trabalho de o ler.
A todos já perdoei. Gente pequena, para quem os interesses da comunidade estão sempre abaixo dos interesses pessoais, que não merece a perda de um minuto.
ASSUNTO ENCERRADO. Perdoem-me.

Ver mais

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Albertina ou Beatriz

 

As modas e a sua aculturação numa determinada população, ou de como: cada terra com seu uso.

Conhecíamos esta mesma canção com o nome de Beatriz, filha do conde, em Benfica do Ribatejo.

(ao minuto 2:10)

Viemos a recolhê-la no Casal dos Gagos, junto de Manuela dos Gagos, com o nome de Albertina, filha do rei.

Albertina

Clique para ouvir

https://dl.dropbox.com/u/4453889/Albertina%20a%20filha%20do%20rei.mp3

Pensamos ser bem antiga, quiçá do século 18-19, e que nas suas diferenças ambas são válidas e representativas da cultura de cada núcleo populacional.

sábado, 22 de setembro de 2012

Cocota fina

 

Como não há duas sem três, ainda da grafonola da dona Fany, nos anos 30-40, por Manuela dos Gagos:

Cocota fina

https://dl.dropbox.com/u/4453889/Cocota%20fina.mp3

casal cesta curto

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A Grafonola da Dona Fany

Nos anos 30 e 40 quando no Casal dos Gagos se falava francês e se ouviam as novidades dos teatros de Lisboa.

 

Das memórias e do livro de Manuela dos Gagos

Clique para ouvir: O Careca

https://dl.dropbox.com/u/4453889/O%20careca.mp3

grupo anos familia livro 50 curto

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

domingo, 9 de setembro de 2012

Academia Itinerarium XIV - Ribeira de Muge a trabalhar

Um momento de trabalho e convívio, recolha e registo científico de repertório, em Paço dos Negros.
Com a presença da mulher, que, nascida nos anos 20, não errarei se disser que é, hoje, em Portugal, quem mais tem na memória estas coisas da cultura popular. Jesuína Vitória.
Clique para ouvir



sábado, 25 de agosto de 2012

Paço dos Negros, Gil Vicente e o Rei Preto

 

Um excerto do livro Paço dos Negros da Ribeira de Muge-A Tacubis Romana.

62 – O Negro Furunando em Gil Vicente

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Como atrás foi dito, Henrique Leonor Pina, em Os Papéis de S. Roque”, citando uns escritos do século XVI, escritos por Simão Vinagre Rodrigues, de Almeirim, que de moço de estrebaria, excepcionalmente admitido na escola do Paço de Almeirim, em criança, a pedido de seu avô, estudou em Évora, chegou a bacharel, e que reconhecera nas peças de Mestre Gil as pessoas e as paisagens de Almeirim, referindo-se ao negros que habitavam o Paço da Ribeira de Muge, diz: «eram escravos guinéus, vindos do reino de Benim. Viviam em casa de pau a pique, com paredes de caniços, tapadas de barro, e telhados de espadana e junco.»

Nos mesmos “Papéis”, diz Henrique Leonor Pina: Gil Vicente muitas vezes representou em Almeirim. Entre 1525 e 1527 foi muito fecunda a sua obra, um período em que permaneceu grande parte do seu tempo nesta vila real, devido a febres. Foi nestes anos que escreveu as três peças em que põe o negro Furunando a falar. Ao ler as suas obras [de Gil Vicente] reconhece Simão relações directas com Almeirim, embora Gil Vicente as finja noutros lugares. Almeirim reconhecia-se nas personagens e conhecia bem as paisagens criadas por Mestre Gil. Falava com os negros da Atela, e foi um frequentador do Paço da Ribeira de Muge, que bem conhecia, por ali se deslocar para falar com os negros, os que estavam em Almeirim já não falam bem língua de preto, dos quais retirava o falar para as suas obras.

Foram estes os anos de ouro dos negros no Paço da Ribeira. Teria sido na capela do Paço da Ribeira de Muge que encontrou um preto, um tal Furunando, o documentado Fernando Frade, o lendário negro  que invoca Jesus Cristo, refilão,e que invoca ser fidalgo, mais qualquer outro, por ser um dos quarenta filhos do rei do Benim.

Teria sido pois, ao serviço do rei, na capela do Paço da Ribeira de Muge, que Gil Vicente encontrou um preto, de nome Fernando, figura de tal forma marcante que se tornou o seu Furunando; negro de certo modo revoltado, a quem pediu que lhe rezasse o Padre-nosso e a Salve Rainha*. Quem melhor poderia encontrar Mestre Gil, para lhe rezar o seu latim, que um negro refilão, com alguma preparação para tal, quiçá presunção, que andava na capela?

Como nos confirma Henrique Leonor Pina: Pediu-lhe então Mestre Gil que rezasse o Padre-nosso e a Salve Rainha; encontramos em o Clérigo da Beira linguagem e orações, cujas reminiscências ainda encontramos nas memórias das mulheres locais, como por exemplo na “lenda dos gatos endemoninhados”, “Valha-me Nosso Senhor Jesus Cristo”, que uma nossa informante, Manuela dos Gagos, nos revelara, em 2003, que diz ter ouvido da boca de Guilhermina Moreira [1848-1944], antiga dona do Paço.

São reveladores os termos usados, no seu latim, saídos da boca de Furunando, um verdadeiro hino à vida no Paço da Ribeira de Muge: (sável, égua, vinagre, balde, quarta, cordas, convento, fruta, pias):

Sabe a Regina mathoa misericoroda/nutra dun cego sável/até que vamos a oxulo filho degoa/alto soso peamos já frentes/vinagre quele quebraram em balde/ja ergo a quarta nossa/ha ylhos tue busca cordas/oculos nosso convento/e geju com muyta fruta ventre tu/j/tremens ja pias/Seoro Santa Maria.

* - Salve Regina, mater misericodiae Vita, du cedo et spes nostra, salve! Ad te clamamus, exules filii Evae. Ad te suspiramus gementes et flentes in hac lacrymarum valle. Eia ergo, advocata nostra illos tuos misericordos óculos ad nos converte. Et Jesum, benedictum fructum ventis Tui nobis, post hoc exilium, ostende. O clemens, o pia! o Dulce virgo Maria.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

As mezinhas para os escravos d’el-rei

 

De um excerto do livro Paço dos Negros da Ribeira de Muge – A Tacubis Romana, pode ver-se como os escravos do rei eram tratados:
Em 1530, os negros da ribeira de Muge são referenciados como os beneficiários dos remédios e mezinhas do boticário de Santarém. São chamados de escravos do rei. Ordena Matela a Henrique Nunes que mande curar os ditos escravos que adoecerem e mande pagar os mestres e mezinhas de qualquer dinheiro que houver neste almoxarifado de Santarém. (CC, 2, maço 164, doc.48). (cf. anexo 39):
retirado





quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A escola em Paço dos Negros

Um excerto do livro Paço dos Negros da Ribeira de Muge-A Tacubis Romana


87-Turma escolar de 1952-53. Maria de Jesus Borrego. (10-12-1952)


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A escola em Paço dos Negros, segundo os nossos informantes, foi inaugurada no ano de 1948, com uma turma. Era docente a professora Maria Forjó Casimiro. Em 1949 havia duas turmas. Eram docentes Maria Antónia Almeida e Maria de Jesus Borrego. Esta, a residir na localidade, dava aulas nocturnas a adultos. Foram estas as primeiras professoras a dar aulas em Paço dos Negros em regime de escolaridade obrigatória até à terceira classe. Anteriormente, desde os anos 30, quem quisesse frequentar a Escola tinha que se deslocar a Fazendas de Almeirim.
Não sendo obrigatório, poucas crianças, e quase exclusivamente os rapazes, começaram a frequentar estas aulas. Quer pela falta de meios, mentalidade dos pais, também eles iletrados, quer pelas distâncias que as crianças tinham de percorrer a pé, apenas uma minoria frequentou, ainda que por curtos e por vezes irregulares períodos, a escola em Fazendas de Almeirim.


87 A – Diploma de aluno entrado na escola aos 12 anos.
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Alguns pais, tentando que seus filhos aprendessem as primeiras letras, pagavam, por vezes, a uns indivíduos instruídos que, quantas vezes por razões políticas, de algum modo marginais à sociedade, na terra apareciam esporadicamente e, a troco de uns precários tostões, ensinavam as crianças que frequentavam a escola nos intervalos dos trabalhos agrícolas.


87 B – Turma Escolar da “Senhora Almeida”. 1951-52
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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Paço dos Negros e a sua cultura diferente e genuína

À CONSIDERAÇÃO DOS MEMBROS DA ACADEMIA E POPULAÇÃO EM GERAL

Dada uma certa desinformação, derivada de um certo caciquismo que impera nesta terra (Paço dos Negros) e neste concelho (Almeirim), e que vive à custa de uma certa ignorância cultural (e do orçamento, claro), impõe-se um esclarecimento:

Porque nasceu a Academia da Ribeira de Muge?

A Academia, com sede em Paço dos Negros, aberta às populações vizinhas, nasceu de uma necessidade de preservar a cultura da Ribeira de Muge. Toda a cultura, em todas as suas vertentes, e da não-resposta dada pelas associações culturais existentes, mormente em Paço dos Negros.

Finalidades da Academia da Ribeira de Muge.

Dado o atraso temporal com que o troço médio deste vale da Ribeira de Muge teve acesso a contactos externos mais intensos, manteve e pode exibir hoje, ainda, esta região uma cultura com traços característicos muito próprios, mormente dos negros que aqui habitaram. São estas especificidades que a Academia recolheu, subindo ao povo, como nos diz o grande Pedro Homem de Melo, recolhe, estuda e quer apresentar. Quer apresentar, mas não de qualquer maneira. Com demasiados vícios, o folclore salazarista, resultantes de um passado próximo nem sempre dignificante, toda a peça que a Academia apresente tem de passar pelo crivo científico. Só assim se pode elevar e dignificar a nossa cultura. Não só dignificar, mas sublimar a cultura que os nossos mais velhos criaram e recriaram.

Cada exibição deve ter por finalidade tornar presente e actual (como que tornar sagrado), um determinado momento passado da cultura dos nossos antepassados.

Cada elemento deve saber dar as razões da cultura que carrega aos ombros, aos vários níveis: musical, de poesia popular, de danças, de trajes.

Cada elemento deve dignificar o significado da palavra folclore (toda a cultura popular) que, em Portugal tem hoje uma carga negativa e achincalhante, é associada a coisa de pouco préstimo, de coisa mais ou menos improvisada, mais ou menos fantasista, mais ou menos “folclórica”. (isso é folclore, dizem por exemplo, os políticos).

Um membro desta Academia não deve achar correcto, por exemplo, que se envergue mais o traje regional, em dia de Carnaval. O traje, tal como as danças e as melodias, devem ser genuínos, e devem ser um símbolo da nossa cultura, a alma daquilo que somos como pessoas e como comunidade. O traje deve ser respeitado e usado, com orgulho, nos dias de maior lustre para a comunidade: Uma inauguração, uma homenagem, um dia de festa, uma visita de figura ilustre, etc. Só assim, conhecendo e usando o passado para construir um futuro de progresso, valerá a pena estarmos nesta aventura.

(clique para ouvir uma recolha que deverá remontar a alguns séculos atrás)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Os negros da Ribeira de Muge e o Rei Preto.

Extraído do Livro Paço dos Negros da Ribeira de Muge - A Tacubis Romana
 
Será que o Rei Preto é apenas Lenda?

CC, 2, mac 163, fol.23

Pedro Matela cavaleiro da Casa d’el-rei nosso senhor e seu contador na comarca dos escravos desta mui nobre e sempre leal vila de Santarém e da vila de Abrantes, corregedor perpétuo da vila de Almeirim, vos mando a vós Simão Lopes, recebedor das sisas da távola de Marvila desta dita vila de Santarém, que compres cinco alqueires de azeite e os entregares a Fernando Frade, homem preto da Ribeira de Muge, para andarem na capela dos ditos Paços da dita Ribeira, que por ordenança o dito senhor manda que lhe sejam entregues...
Assinatura de Fernando Frade - o Rei Preto

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Uma pequena lembrança e homenagem

Hoje que é dia de S. Domingos. Um período histórico que merece ser lembrado e conhecido.

Durante mais de 300 anos, os frades de S. Domingos do Convento de Nossa Senhora da Serra de Almeirim, vieram ao Paço dos Negros dizer missa, na capela de S. João Baptista, “todos os domingos e dias santos”, conforme o atesta este doc. entre muitos.

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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Rei Preto, o mito de Paço dos Negros

  Baseado nas len das que fazem parte da mitologia de Paço dos Negros: De que o Rei Preto era filho de princesa portuguesa que teve um filho negro e o rei para aqui o mandou; Outra de que era filho de um sultão africano; Outra ainda de que fechava os gatos num quarto, quarto que ainda existe no paço, e lhes batia, gritando: “Valha-me Nosso Senhor Jesus Cristo”; Na figura do negro Furunando, em Gil Vicente; Nos bronzes do Benim;
Nos documentos da época, em que o rei D. João III (1529), pagava soldo a Fernando (Furunando) Frade, homem preto da capela de Paço dos Negros; Ainda nos registos em que se fizeram baptizados em série no Benim, em que o rei mandava dar aos negros guinéus vindo ao reino, sempre um barrete vermelho, um gibão vermelho (ou dalguma cor); Na tradição dos povos do golfo da Guiné de usarem um barrete vermelho; Na tradição local, de que o Rei Preto era traquinas, refilão, autoritário, vaidoso; Criou a Academia da Ribeira de Muge a figura do Rei Preto, que doravante proporá como o ex-libris de Paço dos Negros da Ribeira de Muge. Pedimos desculpa pela qualidade artística da obra mas, pior será deturpar, não fazer nada pela genuína cultura de Paço dos Negros. rei preto f2 copy   Rei Preto final













O Moinho dos Foros

 

O moinho dos Foros de Benfica é mais um monumento que se prepara para nem deixar rasto. No sopé da Serra de Almeirim, era bem imponente.

 

moinho foros benfica 021

moinho foros benfica 022

domingo, 15 de julho de 2012

O Património

 

Paço dos Negros. O Lagar de azeite.

É pena não haver sensibilidade para se reconhecer o valor patrimonial, histórico, cultural, mesmo económico, no futuro, que tem, para uma aldeia pobre, um monumento destes. Junto da escola, o que deveria ser um bom exemplo para o ensino e aprendizagem, para os alunos, é, antes, um mau exemplo de como é natural deixar-se morrer o que é velho. Incluindo as pessoas.

Já sei que devido ao caciquismo reinante, vai haver um coro de vozes críticas, “dizem as ditas: “naquilo que é seu, cada um faz o que quiser”. Faça-se.

Ignoram que a história e a cultura não têm dono.

Francisco Fernandes, antigo dono, e filho, com trabalhadores .

Cópia de lagar francisco mestre sousa

Estado actual.

lagar de azeite

terça-feira, 10 de julho de 2012

O Cancioneiro religioso da ribeira de Muge

 

Ainda existem pérolas perdidas. É preciso apenas procurá-las e não andar a perder tempo com folclorices serôdias que nunca aconteceram e apenas contribuem para o esquecimento da genuína cultura do povo.

É cantado por esta mulher, nascida na década de 20: Jesuína Vitória.

Jesuína Vitória

Clique para ouvir: Bendito e louvado. Uma reminiscência de ancestrais cantos que se pensava só existirem noutras regiões do país.

domingo, 24 de junho de 2012

S. João Baptista

Hoje comemora-se S. João Baptista, o  patrono do Paço dos Negros da Ribeira de Muge.

O santo que há 2000 anos foi decapitado por se atrever a dizer umas verdades e desafiar o poder.

Contactei algumas pessoas, e vejo que o povo continua ignorando 400 anos da sua história, e pior, a fazer gala disso.

Hoje, como há 2000 anos, o poder continua a servir-se da ignorância e a decapitar quem ousa dizer-lhe umas verdades.

 

Estado do telhado da capela de S. João Baptista, hoje, 2012.

102  telhado

 

Imagem do que será a capela de S. João Baptista no futuro. Claro que com uma porta outra, mais condigna.

capela paço rebocada pintada 3 transp

terça-feira, 19 de junho de 2012

Na busca da história do Paço

De um texto quinhentista, Maria Ângela Beirante, em Santarém Quinhentista: 174, desfaz as dúvidas aos cépticos mais empedernidos: «…estavam muitos mojnhos na Ribejra de muja…/… e havia outras fazendas casaes pumares e outras propriedades que todas... eram da dita ffazzenda e coroa Real e que pellos reis pasados e por mim estavam aforados (…) como também heram uns fermosos pasos que tinha na dita Ribeira de muja onde eu e os mais senhores reis antecesores foram estar e assim os príncipes e infantes…»

Sei que é um pouco de especulação mas, nuns opulentos paços como em Lisboa, Sintra, Évora, Almeirim, parece não assentar bem este retrato: uma mesa frugal, príncipes e animais pelo chão, um negro a servir. Num paço rural, de negros, fundado para desenfadamento do rei, como é o da ribeira de Muge, como assenta bem esta imagem do livro de horas de D. Manuel, o seu fundador.

sábado, 16 de junho de 2012

Exposição

Vai estar em exposição, na Biblioteca Marquesa de Cadaval, em Almeirim, durante as festas da cidade, a maqueta do Paço Real da Ribeira de Muge.
Uma boa ocasião para quem desconhece, e são muitos, virem a conhecer  um monumento concelhio do século XVI que resiste a todas as intempéries.maqueta JPG

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Almeirim e a sua Alma

Apareceu-me na caixa de correio o que vos transmito. Gostei de saber.
Almeirim está de parabéns. É este um fenómeno, o da redescoberta da alma de um povo, que vemos nascer todos os dias, de norte a sul do país. Estranho seria uma terra, ponto de encontro de culturas, com uma tão vasta e rica cultura, ficar eternamente cingida à representação, ainda que meritória, que dela conhecemos. Que, à semelhança do que acontece por todo o país, a viverem à custa de glórias passadas, quantas vezes nascidas num tempo, num cânone de gosto e num modelo que a propaganda salazarista impôs, renegaram a verdadeira alma e cultura de cada povo.
Pena é que, também vemos que em cada terra, por vezes vejamos comportamentos que não dignificam esta evolução e respeito pela matriz cultural do povo.
É este o futuro, face à globalização, para se sentir integrado, na diferença, cada povo procurar no fundo da sua alma, a sua matriz cultural, querer saber de onde vem, para saber para onde vai.
Parabéns, pois, a Almeirim.






terça-feira, 12 de junho de 2012

Marketing para Paço dos Negros

Acontecerá hoje, na Escola Superior Agrária, a apresentação do projecto de marketing para aldeia de Paço dos Negros.

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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Ideias brilhantes


Agora que, finalmente, com pelo menos 20 anos de atraso, se começam a arruamentar as ruas de Paço dos Negros, logo na primeira, a rua do Paço, com cerca de 1500 m,  sem um único lugar criado, se descobre o que parece ser uma nova medida, já velha, de impedir o progresso da aldeia: não criar lugares de estacionamento para os residentes, e principalmente junto dos comércios.