A Ribeira de Muge fica situada na orla de um dos maiores desertos humanos de Portugal, a floresta de Entre-Muge-e-Sorraia. Esta região pode exibir ainda hoje uma cultura com traços característicos muito próprios, mormente a rude cultura dos pastores, cabreiros e dos negros que aqui habitaram. São estas especificidades que a Academia persegue, "subindo ao povo", como nos diz o grande Pedro Homem de Melo, recolhe, estuda e divulga.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Academia Itinerarium XIV - Ribeira de Muge


Convite

Esta Academia convida os habitantes de Paço dos Negros e também localidades vizinhas, a fazerem parte de uma das suas secções:  Folclore: canto e dança; Coro das mulheres da Ribeira de Muge, à capela ; Teatro; Pesquisas etnográficas; Museu.




Esperamos por todos os que sentem que têm algo a dar à sua terra e à sua cultura. Compareça à quartas-feiras, pelas 21 horas, no Paço Real da Ribeira de Muge.

Tira, um pequeno casal, junto a Marianos, que nos deu esta pérola.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Cultura ancestral

Do concelho de Almeirim é talvez Paço dos Negros a única que conseguiu conservar vivo, algo das suas mais fundas raízes.
Local isolado, privilégio de reis e cortesãos no século 16,  manteve a memória das pavanas, das galhardas e das mouriscas, com que na Sintra de Inverno se desenfadavam.

Deana Barroqueiro, magistralmente, dá-nos uma visão desses folguedos no tempo de D. Sebastião e de sua avó a rainha D. Catarina. (Leia D. Sebastião e o Vidente).

Será esta música, conservada em Paço dos Negros, uma herdeira desses tempos gloriosos da realenga Almeirim e do Paço da Ribeira de Muge? Pensamos que sim.

E hoje? Quando sabemos que houve gente aqui na terra que tinha vergonha de mostrar esta dança?

Clique para ouvir:       Dança dos Fidalgos

Carta onde a Rainha D. Catarina faz mercê aos bailadores que em Almeirim bailaram a Mourisca.


quinta-feira, 24 de junho de 2010

O Paço real e o Convento de Nª Sª da Serra de Almeirim

Atestando o que outros documentos já nos tinham revelado, como de que o Paço foi construído para "desenfado" do rei, de que o próprio escolheu e "divisou" o local, de que os escaravos eram "escravos do rei", também a capela foi mantida pela Casa Real durante mais de trezentos anos.


«O Prior e Religiosos do Convento de Nª Sª da Serra de Almeirim

Por se haver perdido o alvará de que este assento faz menção se passou outro com “salva”? o dito prior e religiosos que vai registado no livro próprio da rainha nossa senhora a pág. 284 como dele se verá.

retirado

(RGM, 1, 192v)

E hoje, o que é que os (ir) responsáveis fazem por este monumento?

O Paço real e o Convento de Nª Sª da Serra de Almeirim

Atestando o que outros documentos já nos tinham revelado, como de que o Paço foi construído para "desenfado" do rei, de que o próprio escolheu e "divisou" o local, de que os escaravos eram "escravos do rei", também a capela foi mantida pela Casa Real durante mais de trezentos anos.


«O Prior e Religiosos do Convento de Nª Sª da Serra de Almeirim

Por se haver perdido o alvará de que este assento faz menção se passou outro com “salva”? o dito prior e religiosos que vai registado no livro próprio da rainha nossa senhora a pág. 284 como dele se verá.

Houve Magestade por bem fazer mercê ao Prior e religiosos de Nª Sª da Serra junto de Almeirim de 25$ooo rs para compra de um macho para nele irem os religiosos do dito mosteiro aos Paços de Muja dizer na capela deles as missas que neles se dizem todos os domingos e dias santos de cada um ano por tenção dos srs reis seus antecessores que a instituíram e lhe serão pagos pelo almoxarifado das Jugadas da vila de Santarém do dinheiro que lhe ficar por despender o qual macho lhe costuma dar para o dito efeito e com certidões de como lhe morreu e que para isso tenham que apresentar no Conselho da Fazenda se mandará dar os ditos 25$000 rs para a compra de outro de que lhe faz. Passado alvará em 13 de Junho de 1658.
Assinatura indecifrada»

(RGM, 1, 192v)

E hoje, o que é que os (ir) responsáveis fazem por este monumento?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Academia da Ribeira de Muge - Tu dantes era linda...

Não passes com ela à minha rua

Letra de Carlos Conde e música de Miguel Ramos – 1968 (da Internet)

Ao fim de tantos anos de ser tua
Amaste outra, casaste, foste ingrato;
Vi-te passar com ela à minha rua,
E abracei-me a chorar ao teu retrato!

Podia insultar-te quando te vi,
Ferida neste amor supremo e farto,
Mas vinguei-me a chorar, chorei por ti
Por entre as persianas do meu quarto!

Casaste, sê feliz, Deus te proteja,
Não te desejo mal, e tanto assim,
Que não tenho ciúme, nem inveja,
Como a tua mulher teve de mim!

Mas olha, meu amor, eu não me importa,
Antes que fosses dela eu já fui tua,
Podes sempre bater à minha porta,
Mas não passes com ela à minha rua!


Compare com a letra e música recolhidas em Paço dos Negros, junto de uma mulher nascida em 1924. Pelo tema tratado, uns desamores e ciúmes à mistura, será esta canção, (mais rude, tal como o povo), a parente mais velha dessa outra muito divulgada a partir de meados do século XX, na rádio? Contudo esta canção, segundo a nossa informante, era cantada já nos anos 30.

Tu dantes eras linda agora és feia,
Perdeste toda a beleza e toda a graça,
Devia-te ter ódio, mas não tenho,
Ainda tenho pena da desgraça.

Tu assim que chegaste à tua casa,
Apenas foste dizer mal de mim,
Nunca tive ciúmes nem inveja,
Como a tua mulher teve de mim.

Paciência meu amor, eu não me importa,
Namoraste outra casaste, foste um ingrato,
Foste passar com ela à minha porta,
Eu abracei-me a chorar ao teu retrato.

Paciência meu amor, eu não me importa,
Primeiro que fosses dela eu já fui tua,
Podes passar sozinho à minha porta,
Mas não passes é com ela à minha rua.

Podes passar por mim quando quiseres,
Que eu contigo nunca mais faço as pazes,
Podes amar centenas de mulheres,
Que eu para mim nunca mais quero rapazes.