A Ribeira de Muge fica situada na orla de um dos maiores desertos humanos de Portugal, a floresta de Entre-Muge-e-Sorraia. Esta região pode exibir ainda hoje uma cultura com traços característicos muito próprios, mormente a rude cultura dos pastores, cabreiros e dos negros que aqui habitaram. São estas especificidades que a Academia persegue, "subindo ao povo", como nos diz o grande Pedro Homem de Melo, recolhe, estuda e divulga.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Os especialistas em mudar fechaduras

Compare este naco do pseudo folclore, salazarista e decadente, exibido pelo Rancho Folclórico de Paço dos Negros.

Clique aqui para ouvir. Bailarico do jardim:

Meu concelho é mesmo assim por ele sinto alegria
As Fazendas de Almeirim é a minha freguesia (bis)

Mas não esqueça que a freguesia de Fazendas foi criada em 1956 e o dito rancho diz representar data anterior que, aliás, se lhes perguntarem nem sabem qual é.

Oiça agora, um exemplo, de recente recolha feita em Paço dos Negros, numa gravação de um dos primeiros ensaios do Coro das Mulheres da Ribeira de Muge.


Ó preto, ó preto
De que terra és tu?
Venho de jogar as cartas
Venho do Kartum!

Ó preto, ó preto
De que terra és tu?
Barriguinha cheia
Pontapés no cu!

Era dançada só por homens, nas tabernas, em Paço dos Negros, ainda há cerca de cem anos.

Talvez agora se comece a perceber porque é que um cientista do social ainda que o não deseje, não pode contemporizar com embustes. É claro que são notórias aqui duas atitudes: Uns são especialistas em pesquisas científicas, no seu respeito, em procurar debaixo das ruínas da cultura, outros, são especialistas em mudar fechaduras.

Continua...

Vicissitudes por que tem passado o Paço-Da Aristocracia para o povo

Este documento da T.T. Santarém, no qual o Conde de Atalaia, D. Fernando Manoel, faz o arrendamento do Paço a Manuel Tomé, sogro de Manuel Francico Fidalgo, mostra ser o precursor do que viria a ser o aforamento em 1903-4, e a venda do território não aforado, em 1918, a Manuel Francisco Fidalgo.

domingo, 28 de março de 2010

Paço dos Negros e o seu pseudo folclore

A cena evitável que se passou ontem no Paço Real da Ribeira de Muge de que me sinto envergonhado (e que mais uma vez peço desculpa aos alunos e professores), a respeito de cultura e sua pesquisa, defesa, valorização, revela duas atitudes: aqueles que com gosto dão o seu tempo e o seu dinheiro, que procuram ir às raízes, respeitar a realidade histórico-cultural, e aqueles que, quais cucos, de cultura só sabem aproveitar-se do trabalho dos outros.

Senti-me desgostoso de ver as tristes figuras que fazem: sem vergonha, ridículos, aparecem, alguns quais Pides amedrontadores, sem serem convidados, não cumprimentam, mal-educadas e autoritários dizem palavrões, pavoneiam-se a mostrar que estão ali, ficam de réu, confesso que nunca pensei ver este triste espectáculo. Tudo isto por uma simples palestra que vale o que vale.

Palestra que ainda assim positiva, tive o feedback, baseada unicamente em dados científicos, sobre a qual, se tivessem a mínima percepção do que é a cultura e a história desta terra, deixavam de fazer esta e outras figuras tristes que têm andado a fazer e que achincalham o FOLCLORE, envergonham a terra que dizem representar e são um empecilho ao desenvolvimento cultural.

Imagine porque me sinto envergonhado por a minha terra ser representada por esta gente, muitos deles mercenários, que não se preocupam em investigar.
Eis um naco do FOLCLORE DE AUTOR, que é uma deturpação histórica, e com o qual estes senhores têm andado a enganar os outros, e a enganar-se a si próprios.

Minha terra antigamente
Quem admirado não fica
Hoje chama-se Paços Negros
Dantes era Paços de Manique

Dança do Conde Manique

Continua...

Paulo Soares da Mota - 14º almoxarife

Principais características deste almoxarifado: Obrigado a residir a maior parte do ano no Paço. Foi nomeado a 3 de Março de 1769, mas recebeu o ordenado e trigo e cevada a partir de 8 de Maio de 1770.  Deveria manter o cuidado do Pomar, com dois hortelões, para o que recebia 40.000 reis. Ruas limpas e cultivo de terras anexas.

sábado, 27 de março de 2010

Ignorância e caciquismo

O que se passou hoje no Paço Real da Ribeira de Muge é revelador da ignorância e caciquismo que reina em Paço dos Negros e no concelho de Almeirim.

Ao contrário do que era habitual (ainda na Quarta-feira, dia 24 de Março, o povo da localidade ali se reuniu para um sessão se sensibilização da população para estudarem as hipóteses de criação de um lar de idosos), tendo eu sido convidado para fazer hoje ali uma apresentação da história do Paço, a cerca de 30 alunos da Escola Marquesa de Alorna, para o que havia sido convidado, deparámos que as fechaduras eram outras.

Não sem antes ter passado por ali um do grupo dos caciques e ignorantes da cultura da minha terra, que deu meia volta e foi-se embora, sem ter a coragem de dizer que as chaves era ele que as detinha a partir de agora.

Entretanto aparece o senhor vereador da cultura, sr. José Carlos que disse que haviam mudado (a pedido de quem?, para tramar o povo?) as fechaduras às portas, sem comunicar ao responsável, que as detinha, autorizado e a pedido da Câmara, para abrir as portas sempre que a população necessitasse. O que sempre foi respeitado.

Por respeito ao grupo de alunos e professores dei, com todo o gosto, a minha palestra sobre a bem documentada mas até agora desconhecida História da minha terra, Paço dos Negros.

Daqui quero dizer a esses caciques e ignorantes da Cultura e da História desta terra, que fazem da arrogância da ignorância um fundamento e modo de vida, e se pavoneiam vendendo uma falsa cultura, que chego a ter vergonha do que apresentam, que chega a ser afrontoso e indigno das mulheres, da história e da cultura de Paço dos Negros. Uma fraude cultural, neste momento, que é o caso do rancho de Paço dos Negros, repleto de "mercenários", que não conhecem, nem estudaram a cultura desta terra.
Não conhecendo, como podem transmiti-la e representá-la?

A partir de agora, eles políticos, não contem mais comigo para lhes dar qualquer contributo. Não merecem.

Não preciso da colaboração de gente desprezível, que enxovalha a cultura, ignora e despreza a ciência das pesquisas, adultera a realidade, e prejudica o progresso cultural, e não só, da minha terra.

 
Não quero fazer parte desse grupo de cegos nestas coisas da cultura, a conduzir outros cegos, e que se comprazem a exibir a sua ignorância.

  
Penso que a visita correu bem, ainda assim peço as minhas desculpas ao grupo de professores e alunos.

Clique para ouvir uma dança palaciana que os ignorantes culturais do Rancho de Paço dos Negros se têm recusado a dançar, e que é uma pérola da terra. Talvez quinhentista: