A Ribeira de Muge fica situada na orla de um dos maiores desertos humanos de Portugal, a floresta de Entre-Muge-e-Sorraia. Esta região pode exibir ainda hoje uma cultura com traços característicos muito próprios, mormente a rude cultura dos pastores, cabreiros e dos negros que aqui habitaram. São estas especificidades que a Academia persegue, "subindo ao povo", como nos diz o grande Pedro Homem de Melo, recolhe, estuda e divulga.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Curiosidades sobre Uma escrava da Rainha

Neste documento, em 8 Fev. de 1552, assinado em Almeirim, faz a Rainha D. Catarina, que permaneceu em Almeirim desde Julho de 1551 a Fevereiro de 52, mercê de 4.000 réis a uma sua escrava, Isabel Ribeira, para comprar uma cama, pelo seu casamento com Baltazar Veloso, o qual assina o documento comprovativo do recebimento.
Não será esta Isabel Ribeira uma escrava do Paço da Ribeira?
De que os escravos do Paço cedo foram adquirindo alforria, pelo casamento? Tanto que em 1574, o alvará de nomeação do almoxarife Duarte Peixoto, fala já no pagamento de 24 mil reís para dois homens que hão-de cuidar do Pomar. O que se vem a confirmar em todas as nomeações seguintes.


quinta-feira, 25 de março de 2010

D. Sebastião, um rei de boa boca

Será que este caso de quando D. Sebastião se perdia pelas matas da Ribeira de Muge, de quando "fugia" à avó, para ser perder nas matas, se esconder no Convento da Serra, que nos conta o Padre Amador Rebelo, que foi seu Mestre,  tem alguma coisa a ver com uma história que existe em Paço dos Negros "O rei de boa boca".

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ingenuidades e embustes

Ainda a propósito do interessante livro "Almeirim no Coração da Lezíria", na pág. 34 lemos:

Esta frase, muito em breve serão conhecidos os tipos de vegetais cultivados nesta horta (ideia que parece-me tem direitos de autor), fosse ela consequente e não seria um embuste. Espero para ver o Novo Pomar Real, desta vez com os ditos vegetais semeados em terreno de pedras e barro, encavalitados em cima de um aterro. Que é em o que está transformado o Pomar real, que durante quase três séculos foi cuidado a expensas dos vários reis, que para tal mandavam que se pagasse a dois homens de deveriam trabalhar ali em permanência.



Aspecto actual do Pomar real, junto ao paço

domingo, 21 de março de 2010

Almeirim: No Coração da Lezíria

Encontrámos há dias este livro, interessante, sobre Almeirim. Interessante porque condensa informação dispersa, óptima qualidade de papel e impressão, dezenas de patrocinadores privados, o que pensamos ser positivo.
Contudo, pensamos ser nosso dever corrigir algumas lacunas que o mesmo apresenta no que respeita ao tema que vimos estudado. A Ribeira de Muge. Assim entre outros:

Na p. 25 repete aquela velha ideia demissionária de que de tudo o que outrora foi importante deste complexo, resta o dito Pórtico. Acrescenta-lhe a capela, vá lá. Quanto ao renovado interesse da autarquia estamos conversados.

Na p. 31 por várias vezes confunde o leitor, Muge com a Ribeira de Muge.


Na p. 32 afirma o paço de 1512. Pensamos já ser tempo de as referências virem correctas, 03 de Maio de 1511, data da escritura. Conquanto já estivesse em construção a esta data.


Na p. 33 este casal dos Frades não passa de um erro passado, derivado de falta de investigação, que é difícil corrigir.

Na p. 34-35 um desbafo da autora e uma crítica muito acertada.


Na p. 119 parece confundir a vala do moinho com a Ribeira de Muge.


Nas p. 25 e 30 faz, ainda que pedindo desculpas, referência à Inquisição introduzida por D. Manuel I. Oficialmente, com introdução dos tribunais é de 23.05.1536, ao tempo de D. João III, conquanto D. Manuel a houvesse pedido.

Desnecessária a afirmação “bem com se divertiam a negociar”. Não fica bem a um historiador.



É da Héstia Editores, com texto de Sandra Meireles Silva. Não tem data.

Sobre tudo o resto não me pronuncio, por desconhecer. Ainda assim, globalmente acho-o um livro interessante, que qualquer almeirinense deve conhecer.