A Ribeira de Muge fica situada na orla de um dos maiores desertos humanos de Portugal, a floresta de Entre-Muge-e-Sorraia. Esta região pode exibir ainda hoje uma cultura com traços característicos muito próprios, mormente a rude cultura dos pastores, cabreiros e dos negros que aqui habitaram. São estas especificidades que a Academia persegue, "subindo ao povo", como nos diz o grande Pedro Homem de Melo, recolhe, estuda e divulga.

domingo, 21 de março de 2010

Ritual de trabalho - Quem é que leva a gaita

Ritual de trabalho, das mulheres da Ribeira de Muge, quando no trabalho das mondas e plantas do arroz.

Clique aqui para ouvir: Quem é que leva  a gaita?

quinta-feira, 18 de março de 2010

Academia Itinerarium XIV - Ribeira de Muge


Convidam-se todas as pessoas que sonhem construir algo cultural interessante e verdadeiro na nossa terra.

Precisam-se mulheres jovens e menos jovens, para o Coro das "Mulheres da Ribeira de Muge", que recriará as cantigas, os romances, os “casares”, os desafios, etc., como outrora as nossas mães e avós o faziam.



Precisam-se bailadores para recriarem as danças, tal como elas eram no passado.

Homens e mulheres com veia artística para a recriação etnográfica de peças teatrais baseadas em factos reais acontecidos com os nossos antepassados.


Precisam-se homens e mulheres para o enriquecimento da tocata.

Homens e mulheres, mormente reformados, que queiram ocupar algum do seu tempo organizando o museu etnográfico, na recuperação e exposição de peças, utensílios, trajes, etc.

Junte-se àqueles que já estão a dar o seu valioso contributo. Nestes destacamos os acordeonistas Sr. Jerónimo Baptista, o Guilherme e a Carla.

Compareça 4ª feira, 24 Março, pelas 20:30, no Paço Real. Os ensaios serão às 4ªs feiras. Toda a gente será bem-vinda.

Casos da vida real o sofrimento das mulheres, Clique para ouvir: Ribeira da Salga

quarta-feira, 17 de março de 2010

Os azulejos do Paço

Compare os azulejos e talvez fique a saber onde param algumas obras de arte, espólio do Paço dos Negros da Ribeira de Muge.
Numa Quitação refere a quantidade de 3 milheiros de azulujos.




in Almeirim no coração da Lezíria

Eis o que nos diz Frazão de Vasconcelos, membro da Associação dos Arqueólogos, no seu "Paço dos Negros e seus almoxarifes", do ano de 1926, página 4 :


Inteiros, raros haverá mais. Alguns trouxemos para o Museu do Carmo, por oferta do
actual proprietário do Paço, sr. Manuel Francisco Fidalgo.





De um livro do Museu de Arqueologia, Museu do Convento do Carmo, onde numa vitrine estão expostos, sem referência à procedência.
Repare-se que nestes documentos a referência é "Proveniência desconhecida".

terça-feira, 16 de março de 2010

A construção do Paço Real - Curiosidades

Feita a escritura no dia 3 de Maio de 1511, logo o rei manda os vários órgãos e entidades contribuírem para a construção do Paço.
RETIRADO

Francisco Palha




20 mil réis para as obras da ribeira de muja

RETIRADO
 Feito em Santarém a dezasseis dias do mês de Agosto de mil quinhentos e onze.

                            Diogo Roiz                              João Coelho

segunda-feira, 15 de março de 2010

Mulheres da ribeira de Muge - Juliana

JULIANA (OU D. JORGE, O VENENO DE MORIANA, D. AUSENIA, ETC.)

Está o tema deste “verso” da “Juliana”, recolhido em Paço dos Negros, intimamente relacionado com a lenda escandinava de Sigurd. Lenda que foi disseminada pela Europa por volta do século V. Nele está presente um mote universal, o tema do ciúme e do crime perpetrado através de uma bebida envenenada.

Ramón Menéndez Pidal, dá-nos notícia que Gil Vicente na “Comédia Rubena”, em 1521, pela boca de uma criada, faz referência a este romance.

Como nenhum outro semanticamente desfigurado, neste lindo “verso” vemos como as velhas lendas e imagens são refeitas, renovadas e actualizadas; é esquecido o título nobiliárquico de D. Jorge, os personagens transportados ainda e sempre para ambientes que, neste caso, são familiares às mulheres da Ribeira de Muge.
Pela linguagem utilizada: – Passadas que o Jorge dava eram só para te iludir…, deixa transparecer este versículo, a familiaridade para as mulheres com aquilo que era quase uma fatalidade do destino, para as filhas de um qualquer pobre servo: o filho de um lavrador "enganar" uma rapariga.
De salientar que não faltam as bem populares “Torradas”, propícias a uma certa vingança, um remate moral, como conclusão.

Eu bem te dizia ó filha, mas tu não querias ouvir,
Passadas que o Jorge dava eram só para te iludir.
– Deixe lá ó minha mãe, ó meu pai que me criou,
O Jorze também se engana, assim como ele me enganou.
Recolhido à posteriri

– Aí vem ele minha mãe, no seu cavalo amontado…
– Pois adeus ó Juliana, como estás como tens passado?...
– Eu já cá ouvi dizer, que tu andavas para casar…
– É verdade ó Juliana, venho-te agora convidar.
– Espera aí que eu também vou, que eu quero ir ao teu lado,
Vou buscar um copo de vinho que eu p’ra ti tenho guardado.
– O que pantaste no copo, o que pantaste no vinho?
Que eu já tenho a vista turva, eu já não vejo o caminho!?...
– Se a minha mãe lá soubesse, que eu que cá tinha morrido!...
– Também a minha julgava, que tu casavas comigo!

Torradas, novas torradas
A faca que corta a cana
O Jorze queria ser esperto
Esperta foi a Juliana.

Clique aqui para ouvir: Juliana