A Ribeira de Muge fica situada na orla de um dos maiores desertos humanos de Portugal, a floresta de Entre-Muge-e-Sorraia. Esta região pode exibir ainda hoje uma cultura com traços característicos muito próprios, mormente a rude cultura dos pastores, cabreiros e dos negros que aqui habitaram. São estas especificidades que a Academia persegue, "subindo ao povo", como nos diz o grande Pedro Homem de Melo, recolhe, estuda e divulga.

sábado, 23 de janeiro de 2010

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O lóbi do Restopórtico

Em qualquer parte do mundo quando passamos um pórtico, esperamos entrar numa zona nobre dessa localidade, cheia de dignidade e história, uma zona quase sagrada.

E o que vemos nós no concelho de Almeirim? Vemos pulular por aí panfletos e brochuras que se plagiam uns aos outros, um mais desconhecedor da realidade do que o outro, a afirmar: «do que foi o Paço dos Negros, resta o pórtico...», «do que foi o Paço dos Negros, resta o pórtico...», logo, podem destruir tudo o que não seja o dito...



Seria Paço dos Negros, quando entramos no Pátio, este local sagrado, cheio de magia, não fossem as aberrações como a que vemos na imagem, também por obra deste lóbi do Restopórtico, instalado em Almeirim.

Foto actual, da respectiva cloaca, construída nos anos 90, segundo informação de pessoas conhecedoras, não só com autorização da câmara, como teria sido a expensas da própria câmara de Almeirim. O que não pudemos confirmar.

Será para isto, que a câmara adquiriu parte do monumento?


Quatro escravos para a Ribeira de Muge


trecho de carta, C.C, 1, 9, 30



Nós el rei mandamos a vós nossos contadores que leveis em conta a Gonçalo Lopes almoxarife dos nossos escravos cinquenta e três mil réis por outros tantos que foram avaliados seis escravos que entregou a Rui Gomes que foi nosso tesoureiro da Casa da Mina sobre o qual foram carregados em receita segundo vimos por seu conhecimento e certidão de Cristóvão da Mota nosso contador que lhe tomou a conta que os sobre ele carregou / quatro escravos para mandar (?) para os Paços da Ribeira de Muge e os dois para mandar a Frandes dos quais dois escravos o dito Gonçalo Lopes tinha um mandado nosso para lhos entregar que foi feito perante nós o que assim cumpriu. Feito em Lisboa ao derradeiro dia de Junho Jorge Fernandes o fez ano de mil quinhentos e dezasseis.
Rei


Para levarem em conta a Gonçalo Lopes 53 mil réis que monta nestes 6 escravos que entregou a Rui Gomes/ 4 para a Ribeira de Muge e os 2 para Frandes sobre o qual foram carregados.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Francisco de Almeida - 8º Almoxarife

Características deste almoxarifado: Estava extinto, sendo de novo aberto. Não tinha o mesmo estatuto social dos anteriores (bem como dos posteriores). Metade do mantimento, trigo e cevada, reverte a favor da viúva de Rodel Figueira. Mantém as demais obrigações. Não consta este almoxarife da galeria de almoxarifes do Paço dos Negros, em Frazão de Vasconcelos.


Ch. D. João iv, 28,103

«Dom João etc. faço saber aos que esta minha carta virem que havendo respeito ao bem que Francisco de Almeida meu monteiro prestador me serve na dita obrigação e a folgar de lhe fazer mercê da propriedade do ofício de almoxarife dos meus Paços que estão na ribeira de Mugem que vagou por falecimento de João Rodel Figueira o último proprietário que foi dele e isto sem embargo do dito ofício estar extinto porque de novo o torno abrir com o qual ofício haverá de ordenado e mantimento um moio de trigo outro de cevada e dez mil réis em dinheiro e os vinte e quatro mil réis para pagamento dos jornais do homem que há-de ser contínuo no benefício do pomar e horta dos ditos Paços porque o outro moio de trigo e de cevada que faltam para os dois de trigo e dois de cevada que tinha como do cargo o dito João Rodel faço mercê deles a dona Maria da Silva sua mulher em sua vida o qual ordenado lhe será pago com certidão do provedor de minhas Obras e Paços de como serve e satisfaz com sua obrigação pelo que mando ao Provedor das Lezírias Contador das Jugadas da Vila de Santarém lhe dê a posse do dito ofício e lho deixe servir e dele usar e haver os ditos um moio de trigo de ordenado e outro de cevada e dez mil réis em dinheiro e os vinte e quatro mil réis para pagamento dos jornais do homem que há-de servir, digo que há-se servir contínuo no benefício do Pomar e assim haverá mais com o dito ofício os prós e percalços que lhe direitamente pertencerem e assim no mais haverá juramento dos santos evangelhos que bem e verdadeiramente o sirva guardando em tudo meu serviço e as partes seu direito e querendo eu tirar ou extinguir por qualquer causa que seja nem por isso minha fazenda lhe ficará obrigada a satisfação alguma de que nela pagará os direitos que dever de nosso conforme o regimento dela e por firmeza de tudo mandei dar esta carta por mim assinada e selada com o meu selo pendente. Manuel Gomes a fez em Lisboa aos trinta de Março de mil seiscentos e cinquenta e seis anos e começará a vencer o ordenado do dito ofício do primeiro de Janeiro deste dito ano em diante. Sebastião da Gama Lobo o fez escrever. El rei //»

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A Florentina

A Florentina, um drama acontecido no ano de 1951, em Paço dos Negros. Tinha 14 anos. Um dos últimos "versos" construídos pelo povo, quando a notícia era transmitida e espalhada da forma mais bela que pode haver, ainda que de um drama se trate: o canto das mulheres.



No dia 23 de Fevereiro

Um caso se praticou
Foi o Álvaro da Faustina
A sua mana matou

A sua mana matou
Matou-a sem piedade
Quem lhe havera de acudir
Sua mãe tinha amizade

A sua mana Jacinta
Chorava que dá ternura
Adeus mana Florentina
Vais nova para a sepultura

A sua mana Hortense
Chorava do coração
De ver o sangue a saltar
Da cabeça para o chão

Os gritos que ela atirava
Cortavam o coração
Adeus mana Florentina
Ai mana de uma paixão

O hospital de Santarém
Tem janelas e corredores
Onde estava a Florentina
Onde sofreu tantas dores

Torradas novas torradas
Esta faca corta o chão
Isto tudo aconteceu
Causado pelo seu irmão