A Ribeira de Muge fica situada na orla de um dos maiores desertos humanos de Portugal, a floresta de Entre-Muge-e-Sorraia. Esta região pode exibir ainda hoje uma cultura com traços característicos muito próprios, mormente a rude cultura dos pastores, cabreiros e dos negros que aqui habitaram. São estas especificidades que a Academia persegue, "subindo ao povo", como nos diz o grande Pedro Homem de Melo, recolhe, estuda e divulga.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Trajes da Ribeira de Muge

Rapariga da Ribeira de Muge - Paço dos Negros, anos 40

Traje de trabalho - (corte do mato)

sábado, 19 de dezembro de 2009

Muro da Cerca Quinhentista, do Paço

Ao assistir a uma palestra, pelo Arqueólogo Cláudio Torres, em Coimbra, sobre "Património que Futuro?", senti vergonha  de como desprezamos e desvalorizamos o nosso património, seja ele património edificado, sejam as memórias colectivas: os cantos ancestrais, as danças, os contos, as histórias de vida . Ao ouvir este Sábio, e ao ver como as pessoas se enredam na  sua ignorância a defender a sua Quinta, senti como as pessoas de Paço dos Negros, não sabem sequer, nem sonham, as potencialidades e mais valias que lhe podem advir, com a defesa do seu património, nestes tempos de modernidade e transformação. E mais, como os seus representantes, que deviam contrariar esta ignorância, antes se apoiam nela, para reinarem.

Muro da Cerca do Pomar, abandonado,  construído em 1511


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A Choça

Um dos mais arcaicos tipos de habitação. Utilizado pelos pastores nas suas "transumâncias". Foto actual, tirada em Paço dos negros, na Ribeira de Muge.


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Galeria de Almoxarifes do Paço da Ribeira de Muge

Aos possíveis leitores deste blogue, ofereço a galeria completa deste almoxarifado, como correcção do erro na última mensagem, em que referi Duarte Peixoto como o 4º e não o 5º almoxarife que foi.

1 - 9/2/1514 - DIOGO RODRIGUES. Exerceu o cargo de almoxarife das obras desde 1511.


2 - 1515 - ANTÃO FERNANDES.

3 - 30/5/1522 - LUIS DA MOTA.

4 - 30/9/1546 - ESTEVÃO PEIXOTO.

5 - 17/9/1574 - DUARTE PEIXOTO.

6 - 30/7/1621 - ESTEVÃO PEIXOTO DA SILVA.

7 - 29/4/1644 - JOÃO RODEL FIGUEIRA.

8 - 30/3/1656 - FRANCISCO DE ALMEIDA.

9 - 10/2/1667 - JORGE PEIXOTO DA SILVA.

10 - 2/2/1679 - FELIPE PEIXOTO DA SILVA.

11 - 22/2/1679 - JOSÉ SOARES DA MOTA. Na menoridade de Filipe Peixoto da Silva.

12 - 10/4/1685 - PAULO SOARES DA MOTA. Ainda na menoridade de Filipe Peixoto da Silva. Mais tarde, em 1695, após desistência de Filipe, na maioridade, foi confirmada a sua nomeação definitiva.

13 - 23/7/1750 - JOÃO DE SEIXAS HENRIQUES.

14 - 3/3/1769 – PAULO SOARES DA MOTA.

Em 1790 quando saiu a propriedade do Paço dos Negros da Fazenda Real, e após a extinção do almoxarifado, João Evaristo de Sá Seixas, era almoxarife da Capela do Paço dos Negros da Ribeira de Muge. Tinha de ordenado 40.000 réis.

Em um documento de 4 de Julho de 1801, reza: “Este paço foi dado em Exmo. Marquês de Tancos e se conserva o ordenado ao dito almoxarife por ter a seu cargo a dita capela que existe.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Duarte Peixoto - 4º almoxarife do Paço da Ribeira de Muge

Duarte Peixoto 1574-1621




«Dom Sebastião etc. aos que esta carta virem faço saber que por parte de Duarte Peixoto filho de Estêvão Peixoto cavaleiro da minha casa almoxarife dos Paços da Ribeira de Muja me foi apresentado um alvará passado pela chancelaria por que me pedindo por por falecimento de seu pai lhe fazer mercê do dito ofício de que o treslado do dito alvará é o seguinte: eu el-rei faço saber aos que este alvará virem que havendo respeito ao conhecimento que há que Estêvão Peixoto cavaleiro fidalgo de minha casa me serve no ofício de almoxarife dos Paços da Serra e em outras coisas em que me tem servido hei por bem e me praz de lhe fazer mercê de por seu falecimento fazer mercê a Duarte Peixoto seu filho do ofício dos ditos Paços assim e da maneira e com o mesmo ordenado que o ele tem Estêvão Peixoto seu pai e para minha lembrança e sua guarda lhe mandei dar este alvará pelo qual Estêvão Peixoto tendo tal ofício se fazer dele por seu falecimento outro tal em forma a Duarte Peixoto seu filho na maneira que dito junto declaração que o dito ordenado...» Ch. Henrique e D. Sebastião, 31, 330v-331.


Principais características deste almoxarifado: Deverá continuar a receber 24.000 anuais. Ter um cavalo para guardar a coutada. A menção indistinta de Paço da Ribeira de Muge e Paço da Serra, tal com no tempo de seu pai.
Pela primeira vez aparece a obrigação de reparar e consertar o Paço, a referência ao cultivo do Pomar, para o que receberá 24.000 réis anuais.
Será este um sinal de que os negros já não seriam suficientes, ou já não existiriam no Paço?